14 fevereiro, 2013

[Conto] Two Hearts Are Better Than One

Oi leitoras e leitores!
Bem, esses dias andei com uma vontade grande de escrever um conto novo, mas inspiração (e ideias) que é bom, nada. Continuei a pensar em outras ideias já guardadas em minha mente, e de repente parei numa delas. Acho que, basicamente contagiada pelo clima de Valentine's Day de hoje - apesar de que esse feriado estilo Dia dos Namorados é comemorado hoje apenas no exterior - acabei escrevendo um novo conto, que se passa justo na data. Ainda estou me perguntando o motivo do Brasil ter colocado essa data para Junho, quando o mundo inteiro praticamente faz ela hoje! Mas esquece...
Enfim, vamos conferir o conto de hoje? Já vou avisando que hoje eu realmente fiquei inspirada, e posso ter me empolgado um pouco na hora de colocar as dicas no papel - no word, rsrs. Mas, enfim, vamos conferi-lo? ^-^

P.S: o conto é uma pequena continuidade para os leitores que tanto gostaram da webnovela "Two is Better Than One" ;)


Two Hearts Are Better Than One

11h25.
Corredores quietos, brisa suave a soprar e invadir a sala de aula pelas janelas abertas; silêncio quase absoluto, exceto pela voz irritante da professora Marisa ecoando por toda a classe. Sem sua percepção, os alunos dormem tranquilamente sob as carteiras, de onde, do fundo da sala, posso ouvir breves roncados vindos da turma dos bagunceiros – também chamados por mim como “dorminhocos” (e vocês já devem ter percebido o motivo para tal).
Me endireito na carteira, a todo instante olhando para o relógio em meu pulso, torcendo para que o sinal tocasse logo de uma vez. Desvio o olhar para a janela, e logo observo a paisagem linda que se forma no pátio do colégio, notando alguns pássaros rodearem uma das árvores do centro. Sorrio rapidamente, desejando estar livre como eles, mas logo sou “acordada” pela voz estridente de dona Marisa, bem a minha frente.
– Srta. Wonder, por gentileza, poderia voltar a prestar atenção na aula? – Ela questiona logo que minha atenção está nela. – Preciso repetir que farei uma prova oral sobre as fórmulas químicas na semana que vem?
– Não, dona Marisa. – Respondo, cabisbaixa.
– Que bom que estamos entendidas. – Ela falou, ainda parecendo irritada. – E, pela última vez, já disse que não aceito a colocação “dona” no que diz respeito à mim. Não sou tão velha assim.
“Ah, tá, como se ter 58 anos significasse ainda estar na 'flor da idade'...” pensei; um risinho intrometido se formou em meus lábios.
Imediatos risinhos puderam ser ouvidos em toda a classe, e eu acabei me juntando a eles, recebendo, pouco depois, uma repreensão da dona Marisa.
– Muito bem, classe, – Ela voltou a falar novamente, já sentada em sua mesa. – Peguem suas agendas e anotem as páginas do dever de casa...
“Fala sério”, murmurei mentalmente, pegando a minha agenda, tendo o meu ato sendo interrompido ao mesmo instante, pelo tão querido sinal de saída.
A sala se levantou em uma pressa única, e pude notar o olhar irritado da professora, de braços cruzados.
“Finalmente, livres!”.
Na saída do colégio, Dani me espera toda alegre no portão, puxando-me pelo braço logo que a alcanço. Saímos andando alegres rua afora, e então paro para pensar a respeito de sua alegria. Sorrio ao lembrar do motivo.
– Brian e seus pais irão jantar lá em casa hoje. – Ela falou, sorrindo abertamente. Sua alegria era evidente. – Vai ser o primeiro Dia dos Namorados que passamos juntos, e espero que ocorra tudo bem.
Sorri para ela, e então cenas dos meses anteriores começaram a se passar em minha mente. Dani havia se desentendido com a professora de Álgebra, com relação à sua nota da avaliação no fim do ano anterior, e corria sérios riscos de reprovação. Ela achou que teria de refazer o 2º ano, como previsto pela professora, mas logo a dona Christyn, zeladora do colégio, indicou que a Dani fizesse umas breves aulas particulares com o sobrinho dela. Após a primeira aula, Dani e Brian começaram a ficar amigos, e quando eu pensei que não, eles já apareceram se apresentando como namorados.
Brian era um garoto simpático, já tinha seus 19 anos, mas tinha carinha de 15. Dani costumava descrevê-lo como romântico, extrovertido, otimista, respeitoso e educado; tais adjetivos sempre vinham acompanhados de um sorriso com um toque de orgulho.
– Mas e você, Skyleer, vai comemorar a data co o Liam, hoje? – Ela falou de repente, e o meu sorriso desmanchou no mesmo momento. Ela percebeu a minha reação. – Opa, desculpa, amiga. – Ela mordeu os próprios lábios, em um misto de constrangimento e dúvida.
Eu e Liam havíamos começado a namorar desde o ano anterior, quando ele finalmente saiu da clínica. Pelo certo, este seria o nosso primeiro Dia dos Namorados juntos, mas os pais dele aproveitaram a época para uma viagem extra, que já durava desde o domingo, sendo hoje uma quinta-feira. Eles estavam no Chile, e eu aqui, sem saber como o Liam iria realizar a promessa que me fez, de chegar à tempo da comemoração. Só me restava esperar, aos poucos, aceitando também que ele, provavelmente não viria.
Dei um sorriso meio sem graça para Dani, que sorriu de forma solidária, e então seguimos o percurso até em casa, normalmente, em silêncio.

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19h30.
Sentada no balanço da varanda, observo o céu estrelado da noite. A brisa suave continua soprando levemente, e a Maya aparece e se senta no meu colo, dormindo logo em seguida.
Acaricio a pequena poodle toy em meu colo, e logo um vazio invade meu coração. Liam a havia me dado de presente em nosso segundo mês de namoro no ano anterior, já que eu sempre quis ter um animal de estimação mas a minha mãe me proibira, já que as raças que eu tanto apreciava costumavam crescer demasiadamente. A solução, mais do que óbvia, foi dada pelo Liam, e desde então a Maya vinha nos fazendo companhia o tempo inteiro. Exceto por agora, que estávamos só eu e ela. Sem ele.
O tempo continuou a se passar normalmente, e eu continuei na varanda, juntamente com Maya. Ao longe, eu podia ouvir os breves falatórios de meus pais na sala, que estavam claramente comemorando o Dia dos Namorados, assistindo a um filme de comédia romântico. Um risinho passa por meus lábios, admirada pela atitude deles, que tanto se julgam jovens e cheios de energia. De fato, eles são.
21h10.
Continuo sentada na varanda, à essa altura já acompanhada de meu caderno de poesias. A breve tentativa que tive de escrever uma nova com relação a data, simplesmente se foi. Não tenho inspiração para escrever sobre algo do qual não conheço praticamente. Maya está recostada no chão, ao lado de meus pés, lambendo as próprias patas.
De repente escuto vozes vindo de dentro de casa. Meus pais riem e comemoram animadamente, e após alguns segundos o silêncio retorna.
“A alegria deles com a data deve estar grande” penso.
Decidida a deixar a varanda e ir para o meu quarto, provavelmente para dormir cedo logo de uma vez e acabar com o meu vazio devido ao Dia dos Namorados, me levanto e dou uma última olhada na paisagem à minha frente. Um sorriso triste aparece em meu rosto, e quando estou prestes a me virar e rumar em direção ao meu quarto, duas mãos surgem do nada, tampando meus olhos por trás. Inicialmente me assusto e solto um gritinho meio desengonçado, mas um pensamento repentino vêm a minha mente.
Era o que eu estava pensando?
Tento me acalmar aos poucos, e logo as mãos liberam meu campo de visão, de modo que me viro rapidamente para ver quem teria me feito tamanho susto.
Pulo de alegria no segundo seguinte.
Ele havia chegado.
Sorrindo desinibidamente, ele diz:
– Não achou que eu iria quebrar minha promessa, achou?
Tento falar alguma coisa, mas as palavras não saem, tamanha a minha felicidade. Apenas o abraço.
– Ah, você sabe que eu não faço isso. – Ele protestou.
– Bem, você estava no Chile com os seus pais, Liam. – Falo. – Mesmo que sem querer, você poderia não chegar à tempo.
Ele balança a cabeça de um lado para o outro, numa expressão meio pensativa.
– Bem, de qualquer forma, esqueçamos as demais probabilidades. Eu estou aqui e agora – Ele sorriu novamente, se aproximando de mim. – e tudo o que eu quero agora é comemorar o Dia dos Namorados com a minha namorada.
Sorrio em retorno, explodindo de felicidade por dentro, e ele então me beija. Ficamos parados em plena varanda, com Maya ao nosso lado, sentada, balançando o rabinho, alegre.
Não importa a forma de comemoração. Até a mais simples se dá como perfeita se estivermos na companhia certa. 



Gostaram de matar a saudade da Skyleer, Liam e Dani? ^-^

Beijos e fiquem com Deus.

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