25 julho, 2013

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 01

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Favor não copiar o texto sem antes ter a permissão da autora.

Pagando o “Preço”

– Mas, mãe, eu não fiz por mal! Era um Gucci original vendido à preço de um mero notebook, isso é uma grande conquista! – Falei, exasperada, tentando fazer a minha mãe entender que a minha atitude até havia sido boa.
Mas claro que – dessa vez – ela não compreendeu.
– Já conversamos sobre isso, Susana! – Ela berrou, possivelmente chamando a atenção da vizinha, que à essa altura já havia desligado o som a lá Michael Jackson, e bem poderia estar se esgueirando na parede para ouvir nossa conversa. – Você podia comprar no meu cartão, contanto que sempre se mantivesse atenta aos preços e se controlasse nas compras. – Ela (re)explicou, impaciente. – Mas isso já é demais! Você não só excedeu o limite do cartão como também se deixou endividar! Ou deveria dizer me endividar!

Voltei a me encolher como se fosse uma formiga. É, pelo jeito eu podia esquecer a compra daquele vestido lindíssimo que a PollyClick colocou na vitrine.
– Susana, eu sei o quão boa menina você é, filha, e eu sinceramente não gosto de agir mal com você, eu te entendo, até – Ela deu um sorrisinho, reconhecendo que ela própria era mais fanática por compras do que a Becky Bloom, apesar de ser apenas uma vendedora de cosméticos de primeira linha. – Mas você tem que saber seus limites e aprender com seus erros. – Eu assenti, já prevendo ficar sem TV ou computador como castigo. Triste fim! – Então, por isso mesmo, já conversei com seu tio Marcos. Você irá trabalhar na farmácia dele até cobrir toda a dívida deixada no cartão e fim de conversa.
É, essa é mesmo uma tragédia mas... Espera aí. Trabalhar? Eu ouvi direito?
– Qual é, mãe, foi só uma peça da Gucci a mais no valor total, e você e o papai conseguem cobrir direitinho o valor e ainda vai sobrar! – Argumentei, me sentindo completamente injustiçada. – Por favor, me deixa sem TV, computador, iPhone ou qualquer coisa desse tipo por quanto tempo você quiser, só não me faça trabalhar! E logo numa farmácia!
– Devia ter pensado nisso antes de incluir mais aquela compra no cartão. Isso não diz respeito a mim e ao seu pai, e você sabe que, antes daquela peça, o seu limite de compras já havia sido preenchido. Agora encare o seu erro.
E se virou, indo em direção as escadas, direto para o quarto.
– Mas eu...
– Nada de “mas”. – Ela me cortou, subindo as escadas. – Você começa a trabalhar na segunda, sem falta.
[...]
– E então, A Hospedeira ou Universidade Monstros?
Estávamos eu, Leandro, Clara, Felipe e Anneliese no shopping, nos decidindo sobre qual filme assistir na seção. Por uma grande curiosidade, o cinema havia decidido exibir ambos os filmes no mesmo horário, e agora nós estávamos nessa indecisão. Ou só eles. Eu ainda estava “no mundo da lua”, pensando que, no dia seguinte, após a escola, começaria a trabalhar. Numa farmácia.
– Ah, não vale, cara! Vai bastar a Clara dizer que quer Universidade Monstros e você vai logo pagar os ingressos! – Felipe protestou em seguida. – Opinião da namorada não vale.
– Felipe, eu estou bem aqui na sua frente, caso tenha se esquecido, e a minha opinião tem o mesmo peso que a de vocês. Não seremos injustos! – Clara retrucou, abraçando o Leandro de lado, rindo.
A Anneliese, que ainda ficava tímida no meio do nosso grupo, apenas observava a discussão e por fim, julgava ambos os lados, com seus prós e contras, como ela bem sabia fazer.
Eles continuaram a discutir sobre o assunto, enquanto eu ficava presa aos meus devaneios pessoais. Então, eles finalmente chegaram a um acordo; o Leandro foi logo comprar os ingressos e quando dei por mim, já estávamos na sala. Rapidamente encontramos um lugar vago, e, enquanto a cabeça do Felipe se sobressaia na minha frente, enquanto ele ria sobre alguns tópicos do filme junto com a Anneliese, e a Clara e o Leandro vez ou outra paravam para se beijar bem ao meu lado, eu permanecia perdida nos meus pensamentos, até que a tela enfim se apagou. Confesso que nem reparei qual filme estávamos assistindo.

3 comentários:

  1. Adooooorei este primeiro capítulo! Já vi que a segunda parte vai ser boa! Tenho que dizer, Sâmella: sua escrita está cada vez melhor, se é que isto é possível. E, oh God, a Susana é realmente doida, afinal o preço que ela pagou no sapato não é para qualquer um...

    Beijos ♥ Jeito Único

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  2. A Susana é doida *O* Não vejo a hora de saber o que ela aprontará na farmácia! Ansiosa pela continuação :3
    Beijos ♥

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  3. Uau! Uma jovem consumista! Fiquei curioso, você apresentou a personagem, a mãe dela, os amigos, o espírito consumista dela e como ela sai com os amigos, tudo isso em uma linguagem fácil e ritmada, parabéns! Agora quero saber o que vai acontecer, como ela vai descobrir a fórmula do amor...
    Também gosto de escrever contos, rsrs. O último post lá do blog foi um conto, finalmente tive coragem de postar um, hehe.

    Abraços!

    http://pecasdeoito.blogspot.com.br/

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