06 agosto, 2013

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 03

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar o texto sem antes ter a permissão da autora.

Tomando Fôlego

Logo que o sinal tocou, arrastei-me de minha carteira até a saída da classe, e podia ter demorado meio século para chegar ao portão de saída do colégio, se a Clara não tivesse me empurrado na frente do grupo.
Seguimos até a sua casa, com ela tagarelando aos montes sobre aleatoriedades, tentando me distrair. Claro que não funcionou, mas a intenção foi boa. Chegamos em sua casa, o ponto domiciliar mais próximo à farmácia, e estávamos sentados na sala, conversando, enquanto o almoço ficava pronto.
– Er... Susana, você sabe que não vai fazer o tempo parar olhando fixamente para o relógio, né? – Leandro proferiu de repente, e só então me toquei de que olhava fixamente para o objeto na parede.
Disfarça, disfarça...

Tentei fixar meu pensamento em outras coisas enquanto eu estivesse lá; afinal, meus amigos estavam tentando melhorar o meu astral, mas quem disse que isso é fácil? Normalmente o que levanta o meu astral são aquelas sacolas lindas de compras que eu carrego quando saio do shopping...
Mas, bem, estou proibida de fazê-lo, até segunda ordem da mamãe.
[...]
– Oi, tem alguém aí?
Depois de uma despedida meio que melodramática com meus amigos, eu finalmente havia entrado na farmácia, pela entrada de funcionários, na lateral do estabelecimento. De início, não vi vida alguma naquele lugar que só parecia precisar de um daqueles rolos que vemos no velho oeste para ser chamado de deserto, mas tão rapidamente eu falo e o Marcos enfim entra por uma porta que eu nem sabia que existia.
– Boa tarde para você também, Susan. – Ele sorriu zombeteiro.
– Tá, boa tarde para você também, Sr. Educação. – Eu retruquei, sem dá a mínima. – Mas o meu nome é Susana, com um lindo “A” no final, ok?
– Como quiser, Srta. Exigente. – Ele passou rapidamente por mim, com uma prancheta nas mãos, por onde pude vislumbrar o nome de alguns medicamentos. – Fiquei bem chocado quando sua mãe falou sobre o incidente do cartão de crédito, mais pelo fato de ela já deixar você usá-lo. E não que eu quisesse você trabalhando aqui, mas eu não nego um pedido desses a Ludmila, então...
– Ah, que bom irmão caçula você é, Marcos. – Ironizei. – Olha só, não quero ser mal educada não, mas será que a gente não pode começar logo com essa minha sentença para que, o quanto antes, eu já possa estar de volta a minha casa?
Ele parou de rodar pelo estabelecimento, virou-se para mim e ficou me encarando, numa expressão de como quem não acredita no que acabou de ver ou ouvir. De fato, eu costumo ser um pouco apressada e inacreditável às vezes, mas normalmente as pessoas são acostumadas com isso. Mas, no fim das contas, ele acabou voltando-se aos seus afazeres, como quem percebe que não vale a pena discutir – sábia decisão a dele.
– Pois bem, então, Susana. – Ele enfatizou o último “A”; estava aprendendo rápido. – Aqui está o seu uniforme. – Ele me entregou o embrulho, rindo em seguida ao ver a minha cara de incredulidade para com aquele traje. Porém, novamente ignorou a situação. – E ali está a caixa registradora da qual você tomará conta. Para usá-la basta apenas...
Ele continuou a tagarelar à respeito do objeto a minha frente, enquanto eu repassava mais uma vez, na minha mente, quanto tempo eu ficaria ali. “Você irá trabalhar na farmácia do seu tio Marcos até pagar as dívidas que deixou em meu cartão de crédito”.
Valeu, mãe, muito obrigada por isso.
– Terra chamando Susana! – Marcos falou de repente, zombeteiro. – Melhor você ir trocar de roupa logo antes que a Andrea chegue ou...
– Quem é And...? – Tentei retrucar, no mesmo minuto em que, coincidentemente, uma moça alta e loira, com o cabelo batendo na cintura e o rosto carregado de maquiagem, adentrou ao espaço, pela mesma porta de funcionários pela qual eu havia entrado. Deduzi ser a pessoa em questão, e tive a confirmação desse pensamento logo em seguida.
– Susana, essa é a Andrea, sua colega de caixa. – Marcos apresentou-a. – Andrea, essa é a Susana, a minha sobrinha e sua nova colega de trabalho.

2 comentários:

  1. "Susana, com um lindo “A” no final, ok?" kkkk!
    Imagino como deve ser o uniforme da farmácia, e também como vai ser difícil para a Susana lidar com esse emprego diariamente. Agora fiquei curiosa sobre essa Andrea... Como sempre, ansiosa pela continuação.
    Beijos ♥

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  2. Estão ficando ótimos os capítulos, Sâmella! Já corrigi meu atraso e me inteirei das novidades da história. A Suzana é demais! Sério, estou adorando a personagem com esse jeito despreocupado e meio maluquinho dela... Tanto que estou até desejando sorte a ela, no trabalho na farmácia, rs.

    Beijos ♥ Jeito Único

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