31 agosto, 2013

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 05

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar o texto sem antes ter a permissão da autora.

Ainda Viva!

– Arnaldinho!
Faltava pouco menos de vinte minutos para o turno na farmácia terminar, mas, no geral, havíamos recebido um bom número de vendas naquele dia. Isso se você contar o fato de uma enfermeira, de um hospital local, ter ido até a farmácia e comprado várias quantidades de vários medicamentos para dores musculares, enxaqueca, diarreia e uma carga extra de anestésicos – parece que o hospital não havia conseguido preencher suas cotas de medicamentos no fim de semana, o que acabou sendo lucro para nós. Por outro lado, nos momentos em que ficava a sós com Andrea, procurava puxar conversa com ela e tentar transformar esse emprego pelo menos em algo cômodo; imagina só estar trabalhando forçadamente na farmácia do seu tio materno, sem direito ao seu salário mais uma colega de trabalho que era o oposto da simpatia? Seria um pesadelo.

Ou, ao menos, eu pensava que isso seria um pesadelo. Mas o que realmente se transformou em um foram os telefonemas e mensagens que a loira em questão trocou com seu suposto namorado. Era “Arnaldinho para cá”, “Arnaldinho para lá”; ela parecia ter reatado aquele namoro com ele (ou seja lá o que aquilo fosse), e já estava me deixando enjoada do nome daquela criatura, mas não ficou apenas nisso. Quando o turno chegava ao fim, alguém entrou na farmácia, e eu, toda sorridente achando que era um cliente de última hora, dei o meu tom de voz mais gentil e fiz aquela carinha fofa de amiga, esperando o cliente. Mas, para meu enorme engano, era o Arnaldinho em carne e osso – e agora eu desgostava dele mais ainda.
– Amor, o que você faz aqui à essa hora? Eu falei que te encontraria no bar daqui a pouco. – Andrea falou, em um tom de voz que supostamente ela tentava fazer como sedutor, mas que mais beirava o patético.
– Ah, eu só queria ver a minha gatinha logo, estava com saudades. – Pausa para um vômito! Já falei o quanto acho ridículo garotos que chamam as meninas de qualquer derivado da palavra “gata”? – Se arruma logo aí e a gente vai dar um rolé lá na praça antes, aproveitar um pouco a luz da lua... – Ele continuou a tagarelar lá, numa voz desengonçada de como quem acabara de beber demais.
Por sorte, o Marcos chegou naquele exato momento, e conseguiu me livrar de qualquer outro constrangimento sobre ficar de camarote vendo as tagarelices daquele casal nada bonito. Aproveitei a deixa, e pedi:
– Marcos, será que já posso encerrar meu turno por aqui? – Me virei para ele, com um olhar de súplica um tanto quanto exagerado. – Não acho que vá aparecer mais algum cliente por hoje.
Antes mesmo que ele pudesse responder, Andrea tomou meu partido e repetiu o pedido: – Pois é, Marcos, também queria sair cedo hoje. Eu e o Arnaldinho vamos sair... – Ela falou toda a suspiros e olhares apaixonados, colocando a mão em cima da dele no balcão, que, por sua vez, estava meio aéreo ao ambiente. Será que ele não tinha bebido mesmo?
O Marcos, por outro lado, parecia contrário aos nossos pedidos. Começou a falar que se aparecesse um cliente no último minuto iríamos perdê-lo por sair mais cedo, mas os dois “pombinhos” ficaram tão melosos – e acho que a minha cara denunciou que eu estava prestes a vomitar naquela situação – que ele então repensou e acabou me deixando ir. A Andrea tornou a fazer o pedido, esperançosa, e dessa vez ele apenas revirou os olhos e concordou.
Ela não parou um segundo em espera no balcão. Rapidamente enfiou-se no banheiro e saiu logo de lá, nem se lembrando de acenar para nós no minuto em que saiu correndo da farmácia, puxando o coitado do Arnaldo – recuso-me a chamá-lo com diminutivo no final – pela mão, aos tropeços.
– Ela é sempre doida assim? – Perguntei ao Marcos, enquanto o ajudava a fechar o estabelecimento. – Digo, sempre apressada?
– Sim, mas você se acostuma. – Ele revirou os olhos de novo. – Ela costumava ser a primeira a sair do trabalho, antes de você chegar, mas não consigo assimilar essa “pressa natural” dela ao fato de ela ter tanta paciência ainda com aquele rapaz.
– Bem, tem gosto para tudo no mundo, não é? – Franzi o cenho, em desdém. Ele riu e assentiu, pedindo-me para que me apressasse e terminasse logo de arrumar as coisas. 
E, por falar nisso, agora eu me tocava de que a minha sentença havia terminado.
– Mas e então, o que achou do seu primeiro dia de trabalho aqui na farmácia? – Ele perguntou em seguida, parecendo ansioso por receber a resposta. Aposto que se eu disse que havia sido bom ele iria me jogar na cara o meu receio de trabalho.
... ao menos naquele dia.
– Errr, não foi tão ruim como pensei. – Falei, mas logo que vi um sorriso começando a surgir no rosto de meu tio, acrescentei: – Mas não contemos nada agora, querido, tio. Afinal, minha sentença está só começando; ainda tem muito chão pela frente, e eu só espero ultrapassá-los e chegar viva na linha de chegada.
E então percebi minha voz de desdém e vi quais haviam sido as minhas palavras... eu acabara de me desencorajar naquele momento... Ótimo.
– Bom, espero que isso sirva de lição para você não atolar o cartão da sua mãe em compras mais uma vez. – Ele falou em um meio riso. – Mas, quem sabe até, no final das contas, você acaba não gostando de trabalhar e passa a pagar propriamente suas contas, hãm?
Eu comecei a rir.
– Ah, eu não contaria com isso se fosse você.

2 comentários:

  1. Ah, o amor... bem, ele costuma ser lindo, mas não sei se posso dizer o mesmo quanto ao da Andrea e do Arnaldo (sem diminutivos também, rs). De qualquer forma, fico imaginando a situação da nossa mais nova funcionária de farmácia: espero que ela permaneça viva! Haha' amei o capítulo.

    Beijos ♥ Jeito Único

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  2. Pobre Susana! Tendo que aguentar esses dois "pombinhos apaixonados" ¬¬ Tomara que as coisas melhorem na vida da Andrea e que a Susana sobreviva ao trabalho na farmácia sem perder a sanidade.
    ashaus' =P
    Ótimo capítulo, como sempre!
    Beijos ♥

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