21 outubro, 2013

[Conto] Agora e Sempre | Parte 2

Conto escrito por Sâmella Raissa. Favor não copiar/apresentar o texto sem antes ter a permissão da autora.


O fim de nossa relação não foi o que possa ser chamado de “amigável” ou “compreensível”, afinal. Éramos apenas dois jovens de dezenove anos que, apesar da idade, tinham mentes imaturas e infantis, e bastou um mal entendido na faculdade onde estudávamos, para que toda nossa história se extinguisse, com as palavras mais rudes e mentirosas – porque, sim, nos amávamos mas, naquele momento, queríamos o contrário – possíveis. Passei então o resto do ano letivo trancada no quarto da república feminina onde eu morava, sendo acometida por crises de choro todas as noites e recebendo apoio total de minha melhor amiga, Alexia, que, no fundo, eu sabia que só queria que eu me recuperasse logo. E isso aconteceu, por mais que tenha demorado um pouco, e eu aprendi muito com aquilo tudo, no fim das contas.
Mas eu ainda não entendo.
Como pode então, agora, os grandes momentos que fizeram nossa relação valer a pena passarem tão rapidamente por minha mente, como flashbacks? Se eu acabei de dizer que aprendi com tudo pelo qual passei naquele tempo, por qual motivo sinto aquele passado aflorar novamente em meu peito?
Disso eu não sei. Mas sei que não devia estar sentindo o que sinto nesse momento.
Meu coração está acelerado, minha respiração falha por alguns breves segundos, meus olhos piscam freneticamente, e um sorriso tenta se formar em meus lábios, mas não permito este último, pois sei que já seria demais. Mas se existe uma certeza nesse momento é que, assim como sempre foi, Diego não precisa de grandes gestos – como, nesse caso, sorrisos, por fim – para alcançar seus objetivos. Aqueles três longos anos de namoro serviram-lhe, ao menos, para que reconhecesse que os três principais sintomas ocasionados por suas palavras anteriormente já dizem tudo o que eu mais queria esconder agora.
Meu coração ainda chamada pelo nome dele.
E quando ele sorri timidamente em seguida, sei que é recíproco.
Então, lenta e cautelosamente, ele se aproxima, e é então que eu me dou conta de que ainda estou parada no meio da calçada, com a cara assustada e nervosa de antes. Vejo-o chegar cada vez mais perto, e então abaixo a cabeça rapidamente, por um breve momento, e permito-me sorrir, finalmente. Quando levanto minha cabeça, no entanto, meu sorriso se ilumina e vejo o resto do mundo parar ao nosso redor. Ele está perto, bem perto, e sorri como se há muito não fizesse. Por fim, quebro a mínima distância existente entre nós dois e nossos lábios se chocam, e me dou conta de que estou mesmo beijando aquele que fora o escolhido por meu coração para amar, mas que um dia o destino contrariou.
Mas dessa vez, sei que isso não acontecerá. Da mesma forma que percebo um toque especial de sinceridade e sentimento carregados ao momento, como nunca antes. E é da vez que passo meus braços por seu pescoço, seguro-o firme, e vice-versa.
E a certeza que tenho, neste momento, é de que ficaremos juntos. Agora e sempre.

Um comentário:

  1. "Meu coração ainda chamada pelo nome dele.
    E quando ele sorri timidamente em seguida, sei que é recíproco."
    Sâmmy, que lindo! Quando se é jovem e imaturo qualquer besteira serve para por fim em um amor, ainda bem que eles conseguiram retomar sua história. ♥ Essa segunda parte do conto foi perfeita, sem mais. Adorei! ^^
    Beijos ♥

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