02 outubro, 2013

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 08


Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar o texto sem antes ter a permissão da autora.

Shopping e Romances

– Você só pode estar louca!
Foi a resposta que obtive da Andrea, inicialmente, logo que anunciei minha ideia mirabolante. Ela alegava que garotas que acabaram de ser “chutadas” não podiam ir para a farra logo em seguida.
– Mas desde quando ir ao shopping para passear com uma amiga é fazer farra? – Questionei, sentindo-me ligeiramente ofendida, afinal, eu e a Clara sempre fazíamos isso (ao menos antes de ela começar a namorar o Leandro, daí ele vira e mexe aparecia e quebrava o clima de “melhores amigas à passeio”).
– Bom, depende de quem é a tal amiga... – Ela murmurou, franzindo as sobrancelhas.

– Você está me insultando, desse jeito. – Fiz-me de magoada, com direito a biquinho e olhar tristonho. – Eu não sou assim.
Foi então que percebi que ela estava brincando. Logo ela desatou a rir tão loucamente que pensei que já pudesse arrastá-la para o shopping, afinal, parecia que estava tudo bem. Mas logo que tentei me aproximar, ela fez esforço para parar o riso e falou:
– Acredito mesmo que você não seja nada desse tipo, mas eu não vou de jeito nenhum. – Cruzou os braços e virou o rosto. – Pode tirar o cavalinho da chuva, não vai me tirar daqui. Ninguém nunca consegue me contradizer desse jeito. – Um sorriso triunfante passava por seus lábios.
– Ah, eu não pensaria assim se fosse você...
[...]
– Ainda não acredito que estamos aqui...
Andrea repetia aquela mesma frase desde o momento em que pisamos no shopping, por volta das 19h40. Bastou um pouco mais de persuasão para que eu conseguisse arrastá-la para cá, mesmo com sua má vontade. Antes, inclusive, quando havia ligado para mamãe para avisar-lhe a mudança de planos, ela ficara bem surpresa por eu estar conseguindo, enfim, fazer amizade com a Andrea, e esperava que eu conseguisse mesmo tirá-la do clima de término. Até aquele momento, parece que eu meu plano estava surtindo efeito aos poucos. Já havíamos feito algumas compras básicas, jogado um pouco na ala de games e até entrado numa livraria, onde acabei comprando um exemplar de Dizem por Aí, para minha mãe, pois ela era fã da Jill Mansell. Naquele momento, por fim, estávamos indo em direção a uma sorveteria, só para encerrar a noite.
– Ah, até que enfim um programa adequado para um término de namoro. – Andrea falou de repente, parecendo visivelmente mais aliviada. Mas eu já sabia quais eram suas intenções.
– Nada de se entupir de sorvetes para tentar curar a dor! – Cortei-a, autoritária.
– Está bem, mamãe. – Ela ironizou, revirando os olhos.
Chegamos à sorveteria e fizemos nossos pedidos – um de baunilha para mim e um de morango com chocolate para ela. Então pegamos uma mesa próxima à janela, com vista para a praça da cidade. Sorri ao ver a paisagem, que mesmo à noite, permanecia linda. Foi em meio a esse tempo em que, repentinamente, Andrea parou para me fitar alguns segundos e então disse:
– Obrigada.
– Pelo o quê? – Questionei, surpresa.
– Pelo o que você fez hoje. – Ela sorriu meio irônica, mas soando sincera. – A maioria das pessoas não iria simplesmente agir da maneira como você fez, principalmente levando em consideração que eu não era muito amigável com você nos dias comuns...
– Bom, é isso o que amigas fazem, né? – Sorri de volta. – Já havia passado por isso antes e a minha melhor amiga, a Clara, fez de tudo para me tirar dessa. Daí compreendi que, na verdade, antes de uma relação amorosa, precisamos mesmo é de amigos. Amigos de verdade.
Ela assentiu vagamente, sorrindo. Até então já havíamos terminado nossos sorvetes e já estávamos detonando as casquinhas.
– Então, não esquenta. O Arnaldo não te merecia. – Falei. – Na hora certa, você vai achar o seu príncipe encantado, só precisa acreditar.
– E quem disse que eu ainda quero saber de relacionamentos? – Ela disse em seguida, contrariada. – Depois dessa, prefiro ficar eu mesma, solteira; só assim me garanto de verdade.
– Andrea, você não pode deixar uma tentativa falha estragar as que ainda nem surgiram. – Retruquei. – Poxa, você é nova, ainda tem muito o que viver, muitas pessoas à conhecer! E uma delas, certamente, irá lhe fazer suspirar merecedoramente.
– O que a faz pensar que essa foi a única decepção que tive? E as outras vezes em que o Arnaldinho me traiu? – Revirei os olhos, sabia que contar todas aquelas vezes era desnecessário. – Já tive várias outras, querida, tanto é que tenho 20 anos e nunca tive um relacionamento estável por mais de quatro meses. O Cupido parece não ir com a minha cara, então nem me venha falar de amor, porque nem acredito mais nisso.
Eu estava de queixo caído. Nem eu que costumava ser mais pé no chão que a Clara, nesse quesito, pensava de tal forma, e eis que a minha colega atingira o limite.
– Obrigada mesmo pelo o que você fez hoje, Susana, mas, de verdade, não tente me mostrar o contrário; acho que meus argumentos são bem justos.
– Não, Andrea, claro que não! Você não pode desistir do amor assim.
– E quem disse que eu estou desistindo do amor? – Ela riu secamente. – Foi ele quem desistiu de mim primeiro. – Se levantou de imediato. – Agora vamos embora, estou exausta.
– Está bem, vamos. – Levantei-me e adiantei-me até a saída da sorveteria, seguindo-a. – Mas não pense que irei deixar por isso mesmo, Andrea. – Murmurei baixinho, quando já nos aproximávamos da parada de ônibus. Com sorte, chegaríamos rapidamente em nossas respectivas casas e eu poderia, então, começar a pensar em uma forma de mudar seu pensamento, de uma vez por todas.

2 comentários:

  1. E tomara que a Susana consiga mudar o ponto de vista da amiga sobre o amor... Qual é, existem muitos caras legais por aí, que não fariam com ela o que o Armandinho fez - beleza, eu sei que estou falando como se toda essa história (mais bem escrita impossível, por sinal) fosse real, mas é que de um jeito ou de outro, ela também não deixa de ser real: afinal, quantas Andreas e quantos Armandinhos não exitem por aí, né?

    Beijos ♥ Jeito Único

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  2. "Daí compreendi que, na verdade, antes de uma relação amorosa, precisamos mesmo é de amigos. Amigos de verdade" - trechinho super verdadeiro! A Susana está certa sobre isso e também sobre aconselhar a Andrea a viver novos amores. Tomara que Andrea escute os conselhos da amiga, seria uma pena ela deixar de viver um amor por conta de um carinha idiota. u.U
    Beijos! ♥

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