24 outubro, 2013

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 09

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar o texto sem antes ter a permissão da autora.



Invasão de Planos

As terças-feiras costumavam ser agitadas no colégio, principalmente no refeitório. A cozinheira, dona Hyera, era uma completa carrancuda que, felizmente, uma vez por semana, isto é, nas terças, costumava variar o cardápio horrível a base de vegetais e peixes pré-cozidos e fazia um prato especial para os alunos. Naquele dia não foi diferente, e a estrela do dia era nada menos que lasanha!
Estávamos eu, Clara, Leandro e Felipe na fila que já batia no bloco dois, só para ter direito ao lanche especial. Enquanto isso, aproveitávamos para conversar até que finalmente pudéssemos receber o lanche, e nesse meio tempo contei à respeito do dia anterior com a Andrea.
– Mas ela não pode simplesmente desistir do amor! É um sentimento tão lindo! – Clara estava estupefata, bem como eu previra. – Se o Arnaldo não soube dar valor à ela, ela que espere pelo cara certo. Não precisava ser tão radical.
– Sem dúvidas. Já tentei conversar com ela sobre isso só que ela não me dá bola, finge que não ouve. – Murmurei. – Mas eu estou disposta a provar o contrário para ela, ela queira ou não.
– Neste caso, boa sorte. – Leandro proferiu. – Se a menina realmente é tão arredia e petulante como você dizia, isso não vai ser fácil.
– Bom, mas eu não sou de desistir tão facilmente. – Sorri. – Me aguardem, amigos, logo mais vocês terão ótimas notícias à respeito, eu garanto.
[...]

Marcos estava concentrado mexendo no notebook, por sobre o balcão de atendimento, quando cheguei esta tarde. Com um aceno rápido e um “bom dia”, ele me recebeu sem nem ao menos tirar os olhos da telinha à sua frente. Aproximei-me e então vi o motivo para tal atitude: ele já calculava o balanço daquele mês, e eu já previa o salário que brevemente eu iria receber. Depois de quatro semanas trabalhando na farmácia, logo eu teria a primeira parcela do cartão de crédito de mamãe paga, e, aos poucos, chegaria ao último pagamento e estaria livre de tudo aquilo.
Aproveitando que Andrea ainda não havia chegado, corri até o banheiro e me aprontei para o trabalho; estava tão concentrada na maquiagem que retocava que nem ao menos percebi quando o Marcos começou a falar, parecendo estar conversando com alguém que acabara de chegar. Ouvindo a voz da pessoa ao longe, ainda que sem distinguir realmente a quem poderia pertencer, imaginei de imediato que seria de Andrea e logo me vi saindo banheiro afora e falando:
– Andrea, não pense que nossa conversa de ontem terminou, ainda temos muito o que conversar e você não vai escap...
A frase morreu totalmente no instante em que vi um Marcos olhando-me confuso e, em seguida, sutilmente, movendo a cabeça em direção à portaria. Foi então que meu constrangimento surgiu de vez. Ali, parado, estava um verdadeiro galã de cinema me observando com ar de espanto e desdém, além de, pude perceber, um leve ar de superioridade e arrogância. Por um segundo achei que o Mr. Darcy havia se materializado na minha frente, embora numa versão mais jovem, e lembrei da minha leitura romântica de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, que Anneliese me emprestara na semana passada. Continuei a encará-lo por mais alguns segundos, e vice-versa, até que a minha consciência foi recuperada e ouvi o Marcos balbuciar algumas palavras.
Então eu me permiti voltar à realidade, e o Marcos logo fez as apresentações:
– Wesley, esta é a Susana, nova contratada da farmácia. – E então, virando-se para mim e apontando para o rapaz em questão, concluiu: – Susana, este é Wesley, irmão-gêmeo da Andrea. Ela não virá trabalhar hoje por causa de uma consulta, então o Wesley veio em seu lugar. – Então virou-se para o rapaz e acrescentou rapidamente: – Não se preocupe, receberá uma comissão por isso.
Assenti meio que por impulso, e, após ficar estática por um tempo, decidi me aproximar e tentar soar o mais gentil possível, estendendo minha mão:
– Prazer conhecê-lo.
Ele, por sua vez, deu apenas um sorrisinho de desdém e proferiu, por fim:
– Que seja.
Voltei a fitá-lo com mais atenção, embora, dessa vez, houvesse um misto de decepção e raiva, pois eu acabara de me deparar com o que parecia ser mais um ogro em corpo de príncipe. Ele, por sua vez, parecia pouco se importar com a situação, e continuava a me encarar com uma expressão divertida e sarcástica. Francamente, eu não precisava de mais isto no meu dia.
– Er... Muito bem, pessoal! Vamos trabalhar! – Marcos pronunciou-se de repente, aliviando a tensão que se formara anteriormente, e tão logo me dirigi ao meu respectivo lugar atrás do balcão. Minutos depois, o tal de Wesley também já se encontrava atrás do balcão, à apenas alguns poucos metros de distância de mim. E então as portas foram abertas e eu tratei de colocar meu velho e amigável sorriso de atendente de farmácia no rosto. Eu só esperava não encontrar mais motivos inconvenientes para estragar de vez o dia. 
Mas quem sou eu para saber o que me aguarda no minuto seguinte?


2 comentários:

  1. Pior que existe muito disso, né? Ogros disfarçados em corpos de príncipe. Às vezes, como nos romances da Jane Austen, o amor resolve. E aqui, qual será o caso? Enfim, amando a web e esperando pelo próximo capítulo ansiosamente!

    Beijos ♥ Jeito Único

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  2. Ai a pessoa tenta ser simpática e o garoto responde "Que seja" =P Ogro total! Desejo que o minuto seguinte da Susana seja bom, porque as coisas já estão suficientemente ruins pra ela...
    Você continua escrevendo muuuito bem como sempre, Sâmmy! Ansiosa pela continuação aqui ^^
    Beijoooos ♥

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