22 dezembro, 2013

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 11

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legallt Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar quaisquer partes do texto sem a devida autorização da autora. 

Eu e Minhas Garotas

– Já não se fazem mais garotos educados e respeitosos como antigamente... – Clara suspirou por um momento, jogada em um dos pufes existentes em meu quarto.
Era quarta-feira, e, normalmente, eu estaria trabalhando à essa hora, mas a tempestade da noite anterior havia alagado as ruas de tal modo que poucos comércios ousaram abrir, e nem mesmo a escola chegou a funcionar hoje, já que algumas salas estavam submersas em água suja do então esgoto que ficava ao lado da quadra poliesportiva. Desse modo, totalmente livre de nossos afazeres costumeiros, eu, Clara e Anneliese estávamos jogadas no meu quarto, desde as 13h, no maior papo. A conversa abrangeu vários temas diferentes, e continuou solta até mesmo quando mamãe bateu à porta, trazendo consigo suco de uva e cookies para o lanche. Mas, naquele momento, o assunto começou a mudar novamente, e, quando dei por mim, o tópico principal era garotos.
– Definitivamente, encontrar um companheiro nos dias de hoje está complicado. – Anneliese falou em seguida, sentada no pufe próximo à janela.
– Ah, nem me fale! – Concordei, com pesar. – Sorte a sua, Clara, minha amiga, que já encontrou seu príncipe encantado.

Ela corou um pouco. – Bem... – Ela começou a trançar uma mecha do próprio cabelo, fugindo dos olhares meus e da Anneliese. – O Leandro não chega a ser perfeito como um príncipe, mas ele é o meu melhor amigo e amor, e eu espero que continue sempre assim. Simples, mas verdadeiro.
Anneliese apenas sorria, e eu podia notar um brilho a mais em seu olhar toda vez que este tópico era mencionado; podia ser apenas mais um de seus típicos olhares sonhadores e românticos, mas às vezes eu me levava a acreditar que havia mais alguma coisa por trás daquele sorriso genuíno e tímido. No entanto, conhecendo-a bem, sabia que não adiantaria perguntar de forma direta; às vezes ela se saía melhor transparecendo sua condição ao contar sobre alguma história de romance, da literatura ou da vida real, do que mesmo sendo direta e contando tudo tão abertamente. Ainda assim, porém, não deixei passar uma leve alfinetada:
– Bom, sorte para a gente agora, né, Anne? Que encontremos os nossos príncipes-amigos-amores antes dos trinta! – Estendi a mão para ela em sinal de ‘toca aqui’ e ela bateu de volta, murmurando um rápido e tímido “pois é”, e eu jurei ter visto suas bochechas rosarem levemente por um momento. Mas deixei passar. Ao menos por enquanto...
A conversa continuou, até que, porém, meu celular tocou e tive que atendê-lo. Precisei de muita força para não arremessá-lo na parede, no fim das contas. Marcos me ligara para avisar que a farmácia não iria abrir no dia seguinte também, mas que iria voltar a funcionar normalmente na sexta e repor os dias perdidos no sábado. Até aí, tudo bem. Meu momento desmoronou mesmo quando ele disse que, no entanto, eu teria de trabalhar novamente ao lado de Wesley; Andrea precisara se ausentar para um trabalho importantíssimo da faculdade, além de estudar para uma big semana de provas que estava por vir.
Em outras palavras, eu estava frita.
– Não acredito que vou ter que aturar aquele infeliz por mais tempo! – Bradei, já no meu limite.
– Só ignora ele, Susana. Uma hora ele para de te encher o saco, você vai ver. – Anneliese pôs uma mão em meu ombro, com um olhar solidário.
– A Anne está certa; nada como dar gelo para ver ele se cansar. – Clara apoiou, já ao lado de Anneliese, e ambas encaravam-me com um brilho no olhar. Desconfiada, desviei um pouco a atenção para a janela, para, porém, logo voltar à encará-las ao ouvir: – Agora, Anne, precisamos animar a nossa amiga emburrada aqui. O que acha?
Antes mesmo que Anneliese pudesse responder à indagação, retruquei, desanimada:
– Vocês não acham que vão mesmo superar a ligação do Marcos, não é?
Com um revirar rápido de olhos e uma sobrancelha sugestivamente desafiadora, Clara e Anneliese entreolharam-se e minha melhor amiga, por fim, falou:
– Aposto que te venço no Just Dance.
E o desafio foi lançado.
E mesmo à contragosto, em nome de minha honra naquele jogo, aceitei.
Eu não me intitulava Rainha do Just Dance à toa, de qualquer forma.

Um comentário:

  1. Sabe, desde a primeira parte da web série tenho desconfiado que a Anneliese tem sentido alguma coisa suspeita pelo Leandro... Só que ela é tímida demais para admitir diretamente (como percebeu Susana) e legal demais para magoar Clara, que também foi muito legal com ela durante todo esse tempo.

    E esse Wesley, heim? Sim, eu sei que ele é um ogro (lindo), mas eu tenho uma forte tendência a me sentir atraída pelos bad boys da literatura... só na literatura, haha (na realidade, nunca vi um mudar por amor, ao passo que nas histórias sempre torço para que isso aconteça).

    Desculpe a demora para comentar aqui, mas é que eu sou lerda e ainda não tinha percebido que você havia tornado a postar os capítulos de Legally Friends - já recuperei o atraso e continua achando sua escrita impecável!

    Beijos ♥ Jeito Único

    ResponderExcluir