29 dezembro, 2013

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 13

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar quaisquer partes do texto sem a devida autorização da autora. 

(Des)encontros e (des)amores
                                        
A lanchonete do Seu Pablo era um dos lugares que eu e meus amigos costumávamos frequentar assiduamente desde os doze anos. Sempre que podíamos, após a escola ou aos fins de semana, passávamos aqui para comer a pizza aos quatro queijos como só a dona Linnéa, esposa do Pablo, sabia caprichar, e tomar um milk-shake geladinho feito na hora. Em dias de “sem-fome”, apenas conversávamos sobre os mais diversos assuntos, mas sempre era aqui nessa lanchonete. E, bem, não era só a gente que pensava assim. Invariavelmente ela estava vazia, ao menos, sempre, das vinte mesas disponíveis, quinze ficavam ocupadas. E hoje à noite não foi diferente.
Logo que me aproximei da pracinha, avistando a placa da lanchonete, meu estômago se revirou de fome, ansiando pela pizza e o milk-shake, o que era estranho para alguém que jantara uma hora atrás, mas totalmente comum para quem vivia por entre o meu bairro. Cheguei sorrateiramente na frente do estabelecimento, esperando pegar meus amigos de surpresa, mas a surpresa se virara contra eu mesma, no momento em que alguém cobriu meus olhos por trás.
– Não foi dessa vez, Felipe, pode parar. – Falei, mas a voz que me respondeu em seguida não era a dele.
– Ih, resposta errada. Tenta de novo, Susana.

– Gustavo! Retirei as mãos que cobriam meus olhos e me virei para meu amigo que sorria, divertido, e abracei-o fortemente. Ele tinha andado sumido por uns tempos.
Então Felipe se aproximou de nós antes que eu percebesse e indicou a mesa que eles compartilhavam, próxima à bancada onde Pablo anotava os pedidos. Ah, esqueci-me de mencionar, quando a nossa conversa não fluía, a gente também parava para conversar com ele, gente fina demais! Chegando à mesa, logo peguei meu assento e o meu grupo de amigos estava formado.
– Andou sumido, hein, Gustavo! Por onde andava? – Indaguei então, curiosa mas feliz pela presença de meu amigo.
– Ah, eu estava passando um tempo na fazenda da minha tia, sabe, para esquecer de algumas coisas. – O elevar sugestivo de uma das sobrancelhas já me fazia entender ao que ele se referia. Então continuou: – Cheguei no sábado, passando direto para o trabalho, pois já havia perdido dias demais para contar no salário. E, bem, desculpe por não dar notícias durante todo esse tempo.
– Bem, uma hora você tinha que aparecer, fosse ao vivo ou nos telejornais, então... – Felipe brincou, dando de ombros, recebendo uma cotovelada de Clara logo em seguida.
– Espero que o tempo fora tenha sido bom. – Falei. – Porque eu espero que você não suma mais como fez, hein.
– Está bem, está bem. Mas, realmente, foi um tempo bom fora, consegui me concentrar mais no que vou fazer daqui em diante, logo que acabar o ensino médio. – Ele sorriu.
E, nesse momento, Guilherme, filho do Pablo e da Linnéa, apareceu ao nosso lado, trazendo consigo o nosso pedido: uma grande pizza aos quatro queijos mais seis milk-shakes: dois de baunilha, um de morango, dois de creme e um de chocolate. Agradecemos e pouco depois a conversa voltou a fluir, comida vai, conversa vem, passamos um bom tempo na lanchonete, e ao olhar o relógio, constatei, feliz, que ainda estava cedo, portanto ainda tínhamos mais algum tempo entre amigos pela frente.
Foi então que o celular de Gustavo tocou, e ele o atendeu, após vislumbrar um sorriso em sua própria face ao ver, no visor do aparelho, quem estava ligando para ele. Pediu licença rapidamente, e levantou-se, indo para não muito longe, para próximo à porta de entrada, de onde pude ouvir alguns relances da conversa.
– E aí, tudo bem?... Ah, estou numa lanchonete com alguns amigos... Hum, sim, lembro... Sério que o seu professor te deu nota máxima?! Caramba, parabéns!... Sim, com certeza, o seu trabalho estava excelente, você mereceu... É, verdade, tem isso também, mas ao menos deu para fechar a nota... Oh, está falando sério? Que ótimo! Quando será?... Aham, tudo bem... Estarei lá então... Sim, será ótimo... Beijo, tchau.
Nota mental: parar de tentar ouvir a conversa dos outros para não começar a criar ideias na cabeça que simplesmente não batem com o real contexto por trás das frases perdidas.
– Ei, então quer dizer que o galã da turma está de namorada nova? – Leandro observou, no minuto em que Gustavo voltou a sentar-se conosco. – Hum, muito cuidado dessa vez, meu amigo. Nada de amores extremos pela pessoa errada, sim?
– Calma aí, Leandro, eu ainda estou solteiro. – Gustavo riu, enquanto o namorado de minha amiga apenas fazia uma expressão do tipo “sei, acredito muito” mais as sobrancelhas levemente arqueadas. – É só uma garota que conheci por acaso no shopping, no sábado. Ela estava vagando por entre as lojas, tentando achar um funcionário de alguma loja que se dispusesse a ajudá-la com um projeto da faculdade. Eu o fiz e ela agora me ligou para contar que o professor dela já avaliou e, inclusive, colocou-a na grade de apresentações ao público na próxima semana. Estarei lá para conferir, por sinal.
– Muito legal da sua parte. – Sorri-lhe. – À propósito, sobre a garota, é alguém que eu conheça? – Perguntei como quem não quer nada.
– Não, acho que não. – Ele respondeu. – Mas acredito que se dariam muito bem. Ela é bem legal e cheia de energia; aliás, antes que eu aceitasse ajudá-la, ela quase implorou para meu colega fazê-lo, totalmente sem se importar em fazer qualquer papel constrangedor. Em outras palavras, ela tem uma personalidade forte e ousada, e isso, ouso observar, está um tanto escasso entre as moças hoje em dia.
Concordamos brevemente, e logo a conversa assumiu outro tema. Rimos mais algumas vezes, choramos em outra, quando Anneliese resolveu falar sobre o ótimo e emocionante filme que assistira na noite anterior, e discutimos um pouco sobre mais alguns tópicos. E, até então, já passava das 21h, hora de voltar para casa. Nos levantamos e, enquanto esperávamos por Leandro e Felipe pagarem a conta, do lado de fora da lanchonete, virei-me para a pracinha e eis que um ponto me chamou atenção. Um casal se agarrava e se beijava escorados a uma das árvores, os sons dos beijos chegando até onde eu estava. Reprimi um gemido de nojo por tamanha ‘pegação noturna’, mas logo meus amigos captaram a cena, e não apenas um gemido de indiferença e decepção se seguiu, como também de todos nós.
Já nos virávamos para o outro lado da rua quando Clara proferiu:
– Lamentável o estilo de relação que a maioria dos jovens tem hoje em dia.
E eu já estava para seguir atrás deles quando, porém, numa última olhada no casal, eis que ouço algo familiar. Entre gemidos e vozes roucas, uma palavra me chama a atenção e me surpreende (ou nem tanto): Wesley.
Por fim, faço as palavras de Clara, as minhas.

2 comentários:

  1. A história está me deixando muito, muito curiosa. Estou gostando ainda mais dessa parte da web série que da primeira (o que julguei que fosse impossível, já que a primeira estava perfeita). E esse Wesley, heim? Haha' a definição perfeita de um belo menino-galinha!

    Beijos ♥ Jeito Único

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  2. O Wesley está se mostrando cada vez mais idiota. :p Faço das palavras de Clara as minhas também. Odeio esses agarramentos em público. Desnecessários, apenas. >.<
    Adorei aquela nota mental da Susana! Também tenho que anotá-la, hehehe! E também adorei o capítulo (o que não é nenhuma novidade, certo?) ^^
    Beijos ♥

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