04 janeiro, 2014

Um pensamento cheio de palavras, vírgulas e reticências


Caminho em direção à parada de ônibus. O sol me aquecendo acima de mim, a brisa jogando meus cabelos para os lados, e olho as pessoas ao meu redor.  Ainda estou um pouco longe da parada, então acabo por decidir observar o que existe à minha volta.
Pessoas.
Muitas histórias.
Lugares.
Encontros e desencontros.
Uma leva de pensamentos me atingem e me afligem. O quão única cada uma dessas pessoas e lugares são? Quais histórias já podem ter passado por eles? Sei que deve ser só mais uma observação clichê, mas a pergunta paira na minha mente. E a cada passada tudo fica ainda mais nebuloso em minha mente, e de repente me vejo perdida em pensamentos, teorias, ideias e o que provavelmente seria mais um rascunho caso eu estivesse sentada apontando um lápis para uma folha em branco. Mas só talvez.
Alcanço, então, a parada de ônibus. Sento-me em uma das cadeiras e continuo a observação. Palavras e pensamentos se misturam em minha cabeça, e ouso pegar o caderno e fazer o tal rascunho, que ainda persiste em minha mente. Ou só mais um misto de palavras sem rumo, razão ou identificação.
Pressiono o lápis no papel. Não sai nada. Pressiono novamente. Nenhuma palavra à vista. E isso me desconforta. Como posso pensar tanto em um momento e não conseguir escrever nada no outro? Vai ver alguns momentos não precisem de conceito, apenas de lembranças. Ou vai ver eu esteja sendo insegura e fugindo de meu contexto.
O ônibus se aproxima ao longe, parando no sinal, e quando penso em guardar o caderno, frases e palavras giram em torno de minha mente, formando um contexto incerto que não hesito em transcrever e ver até onde vai me levar. Em questão de segundos, linhas estão escritas na folha anteriormente em branco, e novas palavras continuam a surgir e, em perfeita sincronia com minha mente, minha mão as escreve com precisão. Mas logo me dou conta da realidade e, de relance, avisto o ônibus saindo do sinal. Tudo bem, já estou terminando meu rascunho.
Mas, então, no verso final, me desespero. Esqueço do texto e do roteiro; me apego as palavras e os pensamentos são escritos aleatoriamente no papel, no amontoado de frases e palavras que está o meu coração e a minha cabeça, e não faço ideia de onde está o ponto final. Mas isso é apenas em um texto sem rumo. A vida real é cheia de vírgulas e reticências, sem direito a uma explicação. Vai ver até tenha chance para uma conclusão com uma interrogação. Vai saber...

Um comentário:

  1. "Vai ver alguns momentos não precisam de conceito, apenas de lembranças. Ou vai ver eu esteja sendo insegura e fugindo de meu contexto." Citação preferida: anotada.

    Também tenho essa mania, sabe... De ficar observando, observando... e observando. Pensando na vida que cada ser humano carrega, nas essências que passam por mim, no tempo que não dá tempo. E quanto mais penso, mais quero pensar. Até que lembro que tenho uma vida para carregar também, mas carregar direito, fazendo valer à pena!

    Beijos ♥ Jeito Único

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