09 janeiro, 2014

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 14

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar quaisquer partes do texto sem a devida autorização da autora. 

Quando o ser humano consegue exceder os limites permitidos de idiotice

Acordei no dia seguinte com um incômodo crescente em meu estômago, provavelmente ainda efeito da cena atrevida da noite anterior. A loira anônima, ao que parece, resolveu antecipar a sessão de beijos com ele novamente, e apesar de não estar realmente surpresa por aquela atitude, eu admito que esperava, em um grande voto de esperança, encontrar algum dia um lado desconhecido do Wesley, mais sensível, talvez, e que ele viesse, não sei, a mudar de ideia sobre o amor. Mas acho que eu estava muito compenetrada em romances na época em que pensei isso, e agora eu concluía que aquela cena só havia comprovado que minhas esperanças anteriores haviam sido em vão.
Mas eu não tinha motivos para me importar com aquilo, não é mesmo? Eu nunca nem mesmo fui com a cara dele, era só esperança humana mesmo, de uma romântica incorrigível que, ao que parece, já passou da sua cota de livros de romance na vida. E, naquele instante, deitada na cama, a expressão voltada para o teto e antes confusa e atordoada, resolvei deixar isso de lado. Levantei-me num pulo, corri em direção ao banheiro, me arrumei para o colégio e saí do quarto, cumprindo normalmente a minha rotina de todo dia. A partir daquele momento, eu não iria mais me permitir perder-me em pensamentos inúteis sobre o Wesley. Ele que cuide da própria vida; enquanto isso, vou me importar com quem merece de verdade, e, claro, comigo mesma.
Amor próprio em primeiro lugar, ah, sim.
[...]

Faltava pouco para o sinal tocar quando eu atravessei o pátio de entrada da escola. Grupos de alunos conversavam animadamente em diversos cantos, enquanto eu procurava, consequentemente, pelo meu grupo, que rapidamente notei sentados em uma das mesas do refeitório. Eu observava aquele grupo de pessoas com carinho, e era como se eu, afinal de contas, nem tivesse acordado tão atordoada naquela manhã; de repente eu me sentia em casa, confortável, e com os pensamentos mais calmos em minha mente.
Porém, logo que me aproximei realmente deles, fui recebida não por um costumeiro bom dia encorajador e animado de meus amigos, mas sim por um puxão de cabelo vindo de detrás de mim, antes mesmo de qualquer cumprimento matinal sair de minha boca.
– Como você pode ser tão atrevida, garota?! – A voz, reconhecidamente de uma garota, bradou atrás de mim antes que eu virasse para encarar a criatura. Seu tom de voz era irritado e as palavras nada amistosas, mas ainda assim tive paciência o suficiente para virar-me civilizadamente para perguntar o que estava acontecendo. E logo me vi surpreendida ao ver de quem se tratava... – Não tem mais o que fazer, não?! – Completou, e eu continuei sem entender nada.
– Do quê você está falando, garota? Nem conheço você! – Expliquei, em um tom que eu esperava ter passado longe do amigável, mas que também fosse claro o bastante.
– Ah, não se faça de inocente, eu vi como você estava olhando para o Wesley na noite passada! – É brincadeira ou o dia mal começou e o Wesley achara um jeito de meter-se dentro de meus assuntos fora do trabalho? – Tão ridícula, só encarando ele até o momento em que ele enfim me largou, hein?! Sua...
– Ei, já chega vocês duas! – Leandro se meteu entre nós duas, com um semblante de raiva que eu nunca vira em seu rosto. E, se virando para a loira siliconada, bradou: – Quem você pensa que é para agredir a minha amiga assim?
Por um segundo, jurei ter visto uma onda de atordoamento passar por seu rosto, mas então ela recuperou a pose e uma faísca sugestiva atravessou seu olhar, seguido de um sorriso atrevido que mirava, sem vergonha, o namorado de minha melhor amiga.
– Calma aí, bonitão, já acabou. – E, com um brilho faiscante no olhar, acrescentou, descarada: – Eu sou a Penélope, prazer. – E estendeu a mão, educadíssima. Eu podia ter desferido um soco naquele rosto artificial, mas de repente estagnei, com tamanho atrevimento. E eu quem sou a ridícula, é isso mesmo? Sinceramente, o ser humano às vezes parece conseguir superar os níveis de idiotice permitidos. Felizmente, o Leandro, que não é burro, continuou com a expressão de poucos amigos e o olhar raivoso e ignorou o cumprimento, concluindo:
– Então, se já acabou o que veio fazer aqui, peço que nos deixe em paz. – Enlaçando meu braço, arrastou-me para um lugar na mesa, onde, percebi, nossos amigos nos encaravam com uma tensão merecida à cena feita pela Miss Silicone, mas, antes de se sentar, virou-se para a loira, que ainda se atrevia a observá-lo, para a raiva de Clara sentada logo ao lado dele, e acrescentou: – E eu espero não saber mais de você abordando a Susana.
Seu tom ameaçador mais sua postura claramente nenhum pouco afetada sugestivamente pela loira a fizeram entender que ela não tinha mais nada de útil a fazer por ali. Com um último olhar para mim, pronunciando um elogio nada bonito, virou-se e saiu andando em um rebolado desengonçado em direção a um grupo de patricinhas sentadas do outro lado do refeitório.
Eu e meus amigos permanecemos em um silêncio ligeiramente incômodo, com semblantes diversos, mas que expressavam o mesmo espanto e horror para com a situação que então presenciáramos. Quando eu já estava para tentar driblar o clima e mudar de assunto, porém, Clara interviu, não com palavras, mas com uma expressão de quem estava prestes a soltar um palavrão, e ela o teria dito se não fosse pela percepção rápida do Leandro que acalmou seus ânimos no mesmo instante.
– Clara, seja lá o que tem a dizer, pessoas como ela não merecem um pingo de reação de nossa parte, e, já dizia minha avó, a ignorância é o pior castigo. – Assentimos em concordância com suas palavras, e percebi a tensão sair de minha amiga. Então, após um bufo rápido, deitou a cabeça sobre o ombro do namorado e aninhou-se a ele, parecendo mais controlada.
– Só digo que foi bom ela ter saído depressa daqui. Ou então eu não teria me responsabilizado pelas minhas atitudes... – Ela suspirou baixinho, recebendo o conselho do namorado para esquecer aquilo tudo, e logo ela se viu abraçada pelo meu amigo, que repousara um beijo delicado em sua cabeça, por fim.
O resto da manhã se passou razoavelmente bem, não fossem os olhares acusadores de Penélope em minha direção, os quais eu sempre correspondia com um olhar devidamente questionador. Afinal, o que eu havia feito e não sabia? Eu precisava descobrir.
E algo me dizia que não iria ser com ela, mas com o Wesley...

Um comentário:

  1. Que pena, assim como a Susana (e pelos mesmos motivos que ela) eu também tive uma certa esperança sobre o Wesley, que ele tivesse um lado sensível, maduro, bom... Ô, tristeza, tsc, tsc...

    Mas a vida é assim mesmo. E sempre existe coisa piores, como louras siliconadas, atrevidas, barraqueiras e que gostam de dar em cima dos namorados alheios, haha'.

    Mas sério, O QUE FOI AQUILO??? A que se deve à reação da perua da mesa das patricinhas? Espero que Susana descubra logo. E ela precisa pensar numa boa maneira de abordar Wesley para tal.

    Beijos ♥ Jeito Único

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