16 janeiro, 2014

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 15

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar quaisquer partes do texto sem a devida autorização da autora. 

Passando as dúvidas à limpo e, hora de rebater!

 Após um almoço agradável na casa de Felipe – com quem eu particularmente não vinha tendo muito contato ultimamente – depois da escola, saí caminhando em direção à farmácia do Marcos, os passos lentos, mas os pensamentos acelerados. Ainda na saída da escola, havia sido atingida por um olhar afiado de Penélope, e eu ainda tentei arrancar alguma explicação dela, mas quando tentei questioná-la ela simplesmente virou o rosto e saiu bufando de raiva em direção ao banheiro feminino, e eu fiquei com cara de tacho. E com um imenso ponto de interrogação pairando no ar.
Então, durante a caminhada, cheguei à conclusão de que apenas o Wesley poderia sanar a minha dúvida. E foi o que eu tentei fazer, não fosse o estouro de clientes hoje na farmácia, que impossibilitou totalmente a nossa comunicação paralela ao trabalho.
[...]
Faltava menos de quarenta minutos para o fim do expediente, e eu já havia perdido as esperanças de conseguir falar com o Wesley. Por mais que, agora, a movimentação na farmácia tivesse diminuído, notei que meu colega de trabalho andava meio distante, fechado. Normalmente, seus comentários irônicos e sarcásticos preenchiam toda a minha tarde de trabalho, mas, agora, era novidade se ele comentasse alguma coisa trivial. Isso já estava me deixando preocupada, pensando se a loira da Penélope não havia, na verdade, feito algo com ele na noite passada e estivesse me acusando de algo só para driblar a situação, mas então o telefone dele tocou, despertando-me de uma onda de pensamentos aleatórios e aparentemente impossíveis. E, de volta à realidade, só tive tempo de observar meu colega distanciar-se um pouco do balcão de atendimento, na tentativa de ter uma conversa privada com seja-lá-quem-fosse.

Uma senhora havia entrado no estabelecimento sem que eu percebesse, nesse exato momento e, já de frente ao caixa, restou-me passar as suas compras, não sem antes deixar de ouvir de esguelha o que podia sobre a conversa no depósito.
– Tiffany, você não entende, é que... Não, espera, é só que... Tiffany, me ouça!... Não, não dá, porque... Ei, calma!... Não, não é o que você está pensando, é mais... TIFFANY, PARA COM ISSO!...
Sem perceber, eu já havia parado de processar as compras enquanto meu olhar estava perdido no horizonte – ou na bancada à minha frente – e meus ouvidos na conversa do depósito, mas logo retomei a postura quando a idosa, um tanto quanto risonha e nostálgica, sussurrou levemente:
– Esses namoros conturbados... – Meneou a cabeça, e logo acrescentou, radiante: – Ah, lembro-me como se fosse hoje de quando travava brigas intensas com o Almir Rafael... e com o Enrique Orla... e o Otávio Bedim... e, ah, o Arnoldo Schultz... Ah, bons tempos aqueles... – A idosa suspirou, como quem vê seu próprio sonho a sua frente, e eu, visivelmente estranha com seu histórico amoroso, apenas dei-lhe um sorriso amarelo e entreguei-lhe as compras.
– Tenha um bom dia, senhora. – Desejei-lhe mais mecanicamente do que por espontaneidade, e ela soltou um risinho, divertida, rapidamente cruzando a porta e sumindo de minha vista.
Eu ainda tentava processar o que havia sido aquilo quando um rapaz forte e visivelmente irritado apareceu ao meu lado, guardando o celular com um baque na mochila aos seus pés. A conversa não tinha sido muito boa, afinal.
– Mulheres... TÃO COMPLICADAS! – Ele comentou, como se não lembrasse que havia uma bem ao seu lado.
– Nossa, o galãzinho da cidade brigou com a namorada, foi? – Indaguei como quem não quer nada, só para puxar conversa.
– Você estava ouvindo a minha conversa? – Ele indagou, furioso, só então olhando-me pela primeira vez naquele dia.
– Nem precisava, na verdade. Seu tom de voz já denunciava tudo! – Encarei-o, séria.
– Que seja, mas pare com isso! – Ele bradou. – E nunca que ela seria minha namorada.
– Ah, me desculpe; esqueci que você estava com a Penélope... – Arrisquei, provocativa e...
– Como é?! – ...o peixe mordeu a isca! Hora de passar as dúvidas à limpo, enfim!
– Ué, não é, não? – Questionei, inocentemente. – Então o que foi aquele show de beijos lá no parque, noite passada, afinal? – Provoquei. – Não foi à toa que ela apareceu hoje lá na escola, a louca, toda irritadinha e ciumenta pra cima de mim.
– Ela falou isso para você? – Ele riu, sem humor, num misto de fúria e descrença. – Como ela é iludida, cara.
– Bom, ela não falou exatamente isso, mas... ah, fala sério, vocês estavam muito à vontades naquela árvore.
Ele riu novamente, e dessa vez senti um leve tom de escárnio em sua voz ao falar:
– E só por isso você acha que nós estamos namorando? Nossa, você é muito boba, mesmo! – Ele desatou a um novo riso. – Eu não já te disse que eu sou prático? Qual é, é só diversão, Susana, já te falei! Deixa dessa ilusão, caramba! – E continuou a rir, enquanto eu me afundava numa humilhação sem fundo comigo mesma.
Mas antes que ele perdesse o foco da conversa e se fechasse novamente, por mais que eu estivesse desmoronando por dentro, tratei de questionar-lhe a última coisa que faltava, reunindo toda a força que me restava para pronunciar aquelas palavras.
– Então, se vocês realmente não tem compromisso algum um com o outro, por que ela me abordou abruptamente hoje na escola, como se eu tivesse atrapalhado em alguma coisa? – Observei o rapaz à minha frente ir de risos compulsivos ao incômodo visível em seu semblante, acompanhado de um olhar igualmente desconfortável e irritado. Ele apenas me encarava, calado. – Hein, Wesley, responde!
Segundos depois, porém, ele voltou a assumir a postura sarcástica e irritadiça de sempre, com seu velho tom de voz amargo e distante.
– Ah, a Penélope é uma patricinha metida, não sabe o que faz nem com a própria vida. – Ele respondeu vagamente, acrescentando um riso debochado ao final.
– Se ela é tão patricinha assim como você se permitiu se relacionar com ela? – Questionei, minha voz saindo como um sussurro. – Não vejo lógica nenhuma nisso...
– Não vê porque você é só mais uma dessas romantiquinhas iludidas que...
– CALA ESSA BOCA, WESLEY! 

Um comentário:

  1. Ô, sujeito intragável, esse Wesley... A Susana está comprando a passagem para o céu só de ter de aturá-lo todos os dias em seus expediente na farmácia, sério. Pior que é um desperdício, né? Tão bonito e tão... vazio. Vejo muito disso ao meu redor, tipo... muito mesmo.

    Algo me diz que, se um dos dois não der as costas agora, ou se algo não acontecer nesse exato momento para tirar a tensão da briga, a coisa vai ficar muito, muito feia...

    Beijos ♥ Jeito Único

    ResponderExcluir