22 janeiro, 2014

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 16

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar quaisquer partes do texto sem a devida autorização da autora. 

Românticas independentes, não iludidas

– Por que? Você realmente quer comprar essa discussão, Susana, encare a verdade, essa baboseira de amor verdadeiro não...
– CALE A BOCA, SEU IDIOTA! – Meu tom de voz cresceu de repente, e percebi deixá-lo visivelmente assustado e surpreso, e, vendo seu atordoamento, prossegui. – Já cansei de ouvir você criticar um sentimento tão nobre e bonito como o amor e insistir nessa imagem de que garotas românticas são iludidas! Na verdade, para sua informação, nós podemos ser muito mais espertas que qualquer patricinha siliconada por aí! E nós podemos estar em pleno século XXI, mas, acredite, o romantismo ainda existe; ele só está presente naqueles que realmente o valorizam, e esse claramente não é o seu caso, porque você simplesmente não dá nenhuma chance a esse sentimento!
Seu olhar assustado e descrente fixara-se em mim, e eu continuei, já no limite de ouvir suas baboseiras à respeito de algo do qual ele não faz ideia da importância e beleza.

– Todos os dias é só nisso que você se preocupa em falar, de que o amor não vale a pena porque não existe, e milhares de outras pessoas pensam a mesma coisa e preferem optar pela diversão temporária, e eu sei que é ridículo eu estar gritando aqui com você agora, porque depois você vai ignorar e dizer que não tem nada a ver e voltar a pensar como antes, mas, droga, Wesley, será que dá para parar de insistir nisso com outras pessoas?! Se você não acredita nesse sentimento tão poderoso, guarde suas opiniões para si mesmo, porque eu já estou cansada de ficar me fazendo de garotinha comportada e calma quando você fica criticando, à plenos pulmões, algo que eu valorizo tanto, e me dói o coração dizer isso mas você não faz ideia do que o amor é capaz de fazer, e você nunca vai descobrir se não lhe der uma chance! – Lágrimas furiosas insistiam em rolar pelo meu rosto naquele momento, aumentando ainda mais a tensão que já pairava no ar e, vendo que pessoas passavam de longe na rua, observando a gritaria, tentei me acalmar, aos poucos, acrescentando por fim, baixinho, mas com a voz mais firme que eu consegui assumir: – Então, por favor, PARE DE FALAR DO QUE VOCÊ NÃO SABE!
Com lágrimas molhando minha face, observei, entre os borrões nos olhos, a visão de Wesley, encarando-me levemente com os olhos arregalados, seu susto e atordoamento visíveis, mais o semblante de quem não acredita no que acabou de presenciar, e foi bom ver meu argumento surtir algum efeito – embora não fosse exatamente o que eu queria de verdade, que era poder simplesmente sumir dali e poder estar jogada na minha cama, tentando esquecer aquele fatídico dia.
Sentindo-me desolada e angustiada, juntamente com as lágrimas que escorriam cada vez mais abundantes, decidi ignorar o susto ainda recorrente no rosto de Wesley e fui ao banheiro, decidida a jogar um pouco de água em meu rosto, numa mera tentativa de acalmar os ânimos. No fundo, porém, eu sabia que havia me excedido um pouco no tom de voz com o Wesley, mas o que eu podia fazer? Foi o meu coração quem falou por mim, dessa vez; ele, mais do que eu, já estava no limite dos desaforos de meu colega de trabalho, e eu sei que, provavelmente, depois dessa explosão de hoje, trabalhar na farmácia, ao lado dele não seria mais tão suportável como vinha sendo. Mas isso pouco me importou naquele momento. Só... enfiei-me dentro do banheiro e fiquei lá respirando fundo e banhando o rosto, pelos próximos vinte minutos de expediente, ignorando tudo o mais que acontecia do lado de fora. E eu só queria poder estar em casa agora...
[...]
– Susana, você está aí?
Sobressaltei-me com a leve batida na porta, percebendo que eu estivera dormindo sentada no chão do banheiro esse tempo todo. Olhei para o celular em meu bolso: 18h30, duas mensagens da mamãe e uma de papai. Eles já deviam estar com a preocupação no limite, e, um pouco mais calma, fui levantando-me aos poucos, deparando-me com meus olhos inchados ao passar em frente ao espelho.
Ao abrir a porta, deparei-me com Marcos e Olívia, com claras expressões de apreensão e hesitação, e sorri-lhes brevemente, como quem pede desculpas pelo transtorno e diz que não foi nada demais.
– Er... Susana? – Marcos iniciou o contato, visivelmente apreensivo em falar qualquer palavra. – Hãm... tudo bem? Me desculpe, mas, bem, eu ainda estou meio perdido aqui.
– Eu quem me desculpo, Marcos. – Assumi, desviando um pouco o olhar. Mas, voltando a encará-los, percebi a interrogação pairando sobre suas cabeças. – Foi só um... desentendimento. – Tentei emendar como resposta, mesmo sabendo que ia um pouco além disso, emocionalmente falando.
– Um desentendimento, é isso mesmo? – Ele quis confirmar, e eu só meneei a cabeça rapidamente, como quem não quer responder com precisão. – Olha, não quero te assustar nem te recriminar, mas... logo que chegamos aqui, vimos o Wesley ir embora, com uma expressão angustiada e assustada, de como quem acabara de ver um fantasma e... você parece com um! – Um risinho intrometido e exasperado escapou-lhe.
– Isso deveria me ajudar de alguma forma? – Retribui com um novo risinho, tentando amenizar a situação. Deu certo, e rimos por alguns segundos, sentindo o clima acalmar mais um pouco.
– Mas, Susana... – Ele olhou-me sério por algum tempo, e eu já esperava o que viria a seguir. – Sei que você ainda está meio ressentida e provavelmente não quer falar sobre isso agora, mas foi algo que o Wesley te disse? Algo que te magoou, perturbou? Porque, você sabe, se quiser eu posso...
– Marcos, por favor, será que eu só poderia ir para casa agora? Eu falo melhor sobre isso com você depois, mas, agora, eu só quero... tentar esquecer, tá?
Ele trocou um olhar rápido com Olívia, que aguardava pacientemente com um olhar meio penoso e ressentido para mim, e assentiu automaticamente para ele em seguida. Entendendo meu pedido e o consentimento da esposa, ele pegou as chaves no bolso da calça e me chamou em direção ao carro para levar-me em casa. Despedi-me de minha tia, no batente da porta da entrada da própria casa, nos fundos da farmácia, e entrei no carro. Durante o caminho inteiro o silêncio pairou no veículo, mas eu não me importei, e nem Marcos tentou forçar qualquer comunicação. Apenas despediu-se gentilmente quando estacionou na entrada de casa e, lançando um olhar de pedido de compreensão e paciência aos meus pais, que já me esperavam no batente da porta, segui, em silêncio, em direção ao meu quarto. Ali, deitada na cama, era como se uma luz surgisse no fim do túnel em que eu aos poucos havia entrado desde que Wesley aparecera em minha vida, conturbando-a de todas as formas possíveis, e, por mais que soubesse que tinha dúvidas a esclarecer ao meu tio, naquele instante, eu só sucumbi ao desejo de minhas pálpebras de se fecharem e dormir um pouco. Com sorte, quando acordasse eu estaria de verdade no mundo real, e aquele não teria passado de um pesadelo. Um grande pesadelo.

2 comentários:

  1. Gostei tão pouco que...
    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=416335661830983&set=a.201262156671669.49086.200605886737296&type=1&theater

    (Parabéns pela escrita maravilhosa!)

    Beijos ♥ Jeito Único

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    Respostas
    1. E eu não fiquei feliz nadinha com isso... ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
      Obrigada pela presença e todo apoio de sempre, Lari!
      Beijos...

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