16 fevereiro, 2014

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 18

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar quaisquer partes do texto sem a devida autorização da autora.

Nada como um dia após o outro... E amigos de verdade.

– Lembra-se de mim, Susi?
Eu não precisava me virar para reconhecer a pessoa cujas mãos tapavam meus olhos. Não precisava, muito menos, sentir o receio indo embora e o alívio chegando após confirmar que Marcos dera um jeito na situação conflituosa na farmácia. E não poderia ter resolvido de melhor maneira!
– Andrea! – Virei apenas para abraçar forte e animadamente a garota carrancuda que agora já era minha amiga. – Andou sumida, hein?
Ela riu com a minha euforia, num leve revirar de olhos, e eu percebi que ela continuava a mesma – exceto por um olhar mais brando e luminoso sobre o qual preferi não comentar... ainda.
– Mas e aí, como anda a vida? Fiquei sabendo que o meu maninho te irritou, e o Marcos se zangou de vez com os serviços dele. – Ela comentou, o cenho franzido provavelmente por falar no irmão com quem, eu soubera por Marcos, ela não se dava muito bem. – Você está bem, Susana? Porque, sabe, tive de dividir espaço com ele na barriga de mamãe e posso lhe assegurar que ele me incomodou tanto lá que acabamos nascendo um mês antes do previsto.

– Ah, tá. – Eu ri, achando graça do seu comentário tão seguro.
– Mas é verdade! – Ela fez um biquinho, não segurando uma risadinha logo em seguida. – Pergunta para o médico como o tapa que eu dei nas costas do Wesley quando nascemos não o fez chorar absurdamente! Acabou nem precisando das palmadinhas básicas da enfermeira ao constatar que ele não havia chorado logo de primeira.
Explodimos em uma nova risada, até que fomos interrompidas pela chegada de Marcos; pela sua expressão divertida e risonha, mais parecia que ele havia ouvido as declarações de Andrea, e eu quase pude reparar em uma risadinha tomando-lhe conta, até que, porém, ele avisou que logo a farmácia estaria abrindo e precisávamos nos arrumar para o trabalho. Concordamos e marchamos as duas para o banheiro, entre risos e leves retocadas na maquiagem e no penteado. No fim das contas, percebi que estávamos mais amigas do que pensara, e um sorriso brotou em meu rosto no momento em que nos posicionamos atrás do balcão, quando constatei que, ao que tudo indicava, as coisas voltavam aos seus lugares.
[...]
Aquela semana se passou rapidamente – entre horas amigáveis na escola e muitas risadas no trabalho. Andrea estava oficialmente de volta ao trabalho na farmácia, e a forma como me deu a notícia foi tão animada que já estava achando que ela gostava de trabalhar lá – embora eu soubesse que, ao questioná-la sobre isso, ela certamente iria negar. E, de certa forma, apesar de toda a relutância e hesitação do início, eu começava a criar o mesmo gosto por aquilo também. Quem sabe, após quitar as dívidas com mamãe, eu não passasse a trabalhar ali oficialmente e ganhasse o meu próprio dinheiro?
Tá, não vamos exagerar, ainda sou suspeita para supor algo desse tipo. Mas de repente toda aquela “penitência” havia se transformado em uma das minhas atividades cotidianas mais agradáveis – ao menos ao lado de bons colegas de trabalho.
– Susana, já está pronta? Quero chegar cedo para pegar um bom lugar, antes que só reste uma poltrona bem atrás de alguma companhia inconveniente e a seção vá por água abaixo.
Do banheiro, dando os últimos retoques no meu rabo de cavalo desengonçado, gritei de volta pedindo que ela fosse aguardar na sala por só mais um instante. Com relutância, ela o fez, e pude passar o batom mais calmamente, seguido por um par de brincos pequenos em formato de corações com uma pedrinha de cristal no meio deles. Olhei-me mais uma vez no espelho do banheiro, admirando a combinação maravilhosa de minha calça jeans skinny com uma regata de mangas meio bufantes em cor branca, e me senti satisfeita. O visual quase beirava o social, senão fosse pelos tênis brancos com duas pequenas flores ilustrando o bico de cada par. Apressei-me então a sair do quarto e descer as escadas, encontrando uma impaciente Andrea me esperando sentada no sofá.
– E aí, vamos? – Indaguei-lhe calmamente.
Ela revirou os olhos rapidamente. – Finalmente! Estava costurando a sua roupa ou algo assim para demorar tanto?
Administrei um tapinha leve em seu braço, rindo, e apressei-a para que saíssemos logo. Avisei a mamãe e papai, sentados na varanda da frente de casa, que já estávamos saindo e, pouco depois, estávamos no shopping, driblando a multidão típica dos fins de semana, desviando rapidamente de algumas crianças que corriam animadas até a ala de games. Não demorou muito para que, enfim, chegássemos ao cinema; felizmente, já havíamos comprado os ingressos com antecedência e, faltando cerca de vinte minutos para o início da sessão, nos restou pegar bons lugares e aguardar pelo filme.
– Sem pessoas com cabelos avantajados dessa vez! ­– Comentei.
– E nada de pessoas desrespeitosas falando ao telefone! – Andrea acrescentou, me recordando do fim de semana anterior, quando viemos assistir Em Chamas e uma mulher de rosto plastificado, sentada bem atrás da gente, passou metade da seção gritando com o marido ao telefone. O fato de termos pego a última exibição do filme mais um horário comercial de sábado, ocasionando em uma seção ocupada por menos de dez pessoas foi um dos empecilhos principais para não termos reclamado com a tal mulher. Isso e o fato óbvio de ela estar bem alterada e certamente poder revidar com um pontapé caso “perturbássemos sua paz”, então acabamos ficando caladas.
– Sim, não tem coisa pior do que isso no cinema! – Concordei com ela, em seguida. – Mas é incrível a quantidade de pessoas que desrespeitam isso e agem como se não foss... – A frase parou na metade quando observei, de canto de olho, minha amiga puxar o celular de dentro da bolsa. A tela acesa com um pequeno envelope em destaque deixou claro que se tratava de uma mensagem. – Andrea...?
Ela deu de ombros, claramente constrangida, e um sorrisinho escapou ligeiramente por seus lábios. Antes que eu pudesse retrucar qualquer coisa mais, porém, notei seu olhar luminoso.
É, vai ver existam exceções, afinal...

2 comentários:

  1. Ri muito com a Andrea contado como foi dividir a barriga da mamãe com o Wesley e sobre o tapa kkkkk'
    Sobre a Susana, pode ser impressão minha, mas eu notei/acho que ela evoluiu bastante do primeiro capítulo narrado por ela até agora. Já não gasta compulsivamente como antes, e está tomando gosto pelo trabalho, que ótimo! ^^
    Agora, quem será que deixou a Andrea tão feliz com a tal mensagem? #Curiosa...
    Beijooooos ♥

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  2. Agora fiquei curiosa com essa mensagem que a Andrea recebeu... Até porque ela reagiu à mesma com um olhar luminoso, provavelmente porque espera tanto quanto eu que seja uma notícia boa!

    Um capítulo leve e bem gostoso de ler. Incrível a amizade que essas duas firmaram! E tipo, a Andrea é muito divertida, assim como a Taís eu me diverti a beça com os comentários dela sobre o irmão, haha'

    Beijos ♥ Jeito Único

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