16 março, 2014

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 19

Estou até meio com vergonha de aparecer por aqui hoje, depois de tanto tempo se postar. O motivo? Nenhum especificamente. Mas acho que a falta de inspiração foi um dos fatores, porque, não sei se sabem, mas eu meio que escrevo a websérie de acordo com o ritmo de postagem e as ideias demoraram a fluir há algum tempo. Ou talvez tenha sido eu quem não lhes deu chance, vai saber. O caso é: essa semana, eu meio que me forcei a escrever, em outras palavras, me disciplinar a escrever e, bem, está dando certo. A websérie está voltando a ser postada, e espero cumprir um prazo melhor dessa vez de postagem. Enfim, vamos ver como me saio dessa vez. Sem promessas, apenas esperanças, da parte de vocês, e atitude, por mim. E, sem mais delongas, vamos ao capítulo de hoje, e, só para lembrar, estamos indo para a reta final, hein... ;)
E, como sempre, repito...

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar quaisquer partes do texto sem a devida autorização da autora.

Omissões... ou meras ilusões?

Assim como os dias anteriores vinham sendo, aquele sábado se passou tão rapidamente que, quando me dei conta, já estava indo dormir e então despertando no domingo de manhã. Como dizem, realmente o que é bom dura pouco, mas, felizmente, aquela tarde havia sido mais que isso; ela tinha sido ótima! Para começo de conversa, Andrea havia escolhido um filme especialmente para mim – já que sabia que eu não compartilhava do mesmo amor que ela pelos filme de suspense e ficção científica, o que era o caso da maioria dos filmes em cartaz –, bem estilo ‘água com açúcar’, no qual a observei soltar alguns rápidos e quase despercebidos suspiros e mesmo se permitir dar alguns sorrisos de vez em quando – tenha ela estado consciente desses momentos ou não. Depois disso, passamos o resto da tarde entre vários pontos no shopping, começando pela lanchonete – nenhuma de nós curtia ver filme com pipoca ou refri, por mais sagrada que fosse essa ‘tradição’ –, onde devoramos, sem receio algum, uma pizza quatro-queijos maravilhosa mais milk-shakes de baunilha e chocolate, indo então para a livraria, de onde saí novamente acompanhada de mais um exemplar da Jill Mansell para mamãe e Sob Asas, da Monalisa Silvério, para mim, além de ter incentivado Andrea a comprar Perdida, da Carina Rissi, garantindo-lhe já as boas risadas que o livro traria – muito embora minha real intenção com ele fosse lhe apresentar uma protagonista que não acredita no amor, mas que acaba mudando de ideia ao conhecer o cara ideal para ela, apesar do Ian não ser um ‘cara’ qualquer, mas um príncipe de sonhos! Por fim, saindo da livraria, fomos direto pegar o ônibus e, após deixar nossas compras e bolsas em casa, saímos para dar umas voltas pelo quarteirão em nossas bicicletas. Um pouco de atividade ao ar livre, para variar.

Essa foi, porém, a parte que mais durou e que mais nos divertiu. Como ainda era cedo, vez por outra parávamos em alguma pracinha para descansar as pernas e rir um pouco dos esquilinhos que encontrávamos brigando no parque – ou seja lá mais o que estivessem fazendo. Entre risos e conversas descontraídas, porém, não deixei de observar minha amiga sempre com um sorriso genuíno no rosto, que em alguns momentos me fez questionar se ela ainda era a mesma Andrea Cavalcante de sempre. E quando eu lhe indagava à respeito, ela desconversava e desviava o olhar. Insisti mais em alguns momentos, até que, em determinado instante, sentadas ao pé de uma árvore próximo à farmácia, soltei, despretensiosa e sinceramente, que estava feliz em sermos mais amigas agora e garanti-lhe que sempre que precisasse poderia contar comigo.
Nessa hora, observei-a sorrir um pouco e então responder:
– Sabe, Susi, faz quase três anos que trabalho para o Marcos, na farmácia, mas nunca havia conseguido realmente me encaixar naquele lugar por muito tempo; ele sempre contratava pessoas mais velhas, algumas eu acredito que tinham mais de trinta, e tal, e raramente eu me dava bem com elas. – Ela bufou brevemente, como quem lembra de uma história bem irritante e chata. – Teve até uma vez que a minha colega era uma professora de educação física desempregada, e ela me encheu o saco para começar a malhar e perder uns quilinhos. Ainda até tentou incentivar o Marcos a comprar e vender suplementos alimentares e demais medicamentos para quando se está de dieta, mas ele vetou. Felizmente ela foi aceita para trabalhar em uma escola pouco depois e sumiu de vista. – Ela riu.
– Nossa, deve ter sido bem incômodo, isso. Imagina trabalhar ao lado de alguém louco por educação física e corpo perfeito? Desnecessário. – Concordei.
– Desnecessário e um verdadeiro pesadelo! – Ela emendou. – A mulher era obsessiva com qualquer coisa de atividade física. E queria sempre colocar os outros na dança também! Claro que nós devemos nos exercitar e tal, é importante, mas da forma forçada e opressora dela não era lá muito agradável. – Ela balançou a cabeça, reprovando a atitude da mulher. – Por isso, é muito melhor finalmente trabalhar ao lado de uma pessoa da minha idade. Ou, bem, quase. Dessa vez eu sou a mais velha, mas só por três anos. – Ela meneou a cabeça, divertida. – E, bem, eu também fico muito feliz com essa amizade. E minha mãe parece compartilhar dessa opinião; ela acha que você pode colocar juízo na minha cabeça ou algo assim. – Ela soltou uma risadinha, divertida.
– Bom saber, eu acho. – Acompanhei sua risadinha por algum tempo, até que emendamos um novo assunto e perdemos a hora.
[...]
Quando cheguei em casa, fui atacada por três lindos cãezinhos que aparentemente ansiavam pelo meu retorno. Mia, Luke e Bella me cercaram, cheiraram, lamberam e, no fim das contas, se atiraram no meu colo de tal forma que fiquei sentada na entrada de casa, quase sem puder levantar por toda a atenção que eles estavam me dando. Sorri e apertei aquelas gracinhas, e enfim me levantei, então indo em direção à cozinha para encontrar mamãe e papai – os cãezinhos, obviamente, me seguiram sem precisar de permissão. Encontrei meus pais no escritório, ele sentado na cadeira com algumas cartas na mão – certamente as contas do mês – e ela em pé dando uma ajeitada básica na estante. Havia percebido que eles conversavam seriamente – as contas deviam estar altas, presumi – e eu já ia dar a volta para deixá-los a sós quando Luke adentrou saltitante ao cômodo e denunciou minha presença do lado de fora. Sorri-lhes timidamente e mamãe se aproximou.
– E você chegou, hein, filha. Já estava ficando preocupada, passa das 18h40 e você não tinha dado notícia. ­– Ela preocupou-se.
– Desculpe, mãe, mas acabamos perdendo a hora com tanto tempo de conversa. Isso e algum tempo parando para rir dos esquilos que quicavam em volta. – Soltei um risinho, e ela me acompanhou.
– Fico feliz que tenha sido tão bom assim! – Ela sorriu-me. – E, não sei se é uma boa hora para falar, mas eu estava regando as flores lá fora e o...
– O carteiro passou entregando as cartas, e você já pode metade da sua dívida paga, Susana. – Papai a interrompeu, levantando-se e sacudindo ligeiramente a fatura do cartão de crédito de mamãe. – Estou muito orgulhoso de você, filha. – Ele sorriu e se aproximou, me abraçando rapidamente.
– Obrigada, pai. – Apesar de ter estranhado sua interrupção abrupta, não pude evitar ficar aliviada com aquela notícia. Metade do peso fora embora, só falta mais um pouco e então vou poder repensar em trabalhar e juntar meu próprio dinheiro. – Agora, se me dão licença, vou tomar banho. A caminhada foi longa, e o calor está demais. – Dei de ombros.
– Tudo bem, filha. O jantar deve sair em vinte minutos. – Mamãe avisou, e por um instante percebi seu olhar meio estranho.
Então me virei e, continuamente seguida por meus cães, saí em direção ao meu quarto, ansiosa por me meter debaixo do chuveiro. Ao chegar à escadaria, porém, algumas palavras por alto escaparam do ambiente do escritório.
– Não acho que seja uma boa ideia...
– ...Mas você viu como ele estava... e, sabe, nem é tanto da nossa conta...
– Claro que é! Senão, o que estamos fazendo aqui?...
Por um momento impulsivo, senti vontade de voltar até onde eles estavam e questionar sobre o que estavam falando; não parecia ser algo muito simples, afinal. Mas antes que eu cometesse essa intromissão, meu lembrete mental soou e me livrou de quaisquer situação embaraçosa.

Porque, no fim das contas, eram apenas palavras soltas e fora de contexto. Qualquer ideia surgida na minha mente poderia muito bem contrariar a realidade, então, nessas horas, o melhor é ignorar. Se for para eu saber, será na hora certa.

Um comentário:

  1. Muito chatos esses bloqueios criativos, né? Espero que você continue superando a falta de inspiração, porque já estava com saudades da web serie e dos seus posts em geral.
    Adorei ler sobre o passeio da Andrea e da Susana, bom saber que estão se dando tão bem. =)
    É, de maluca consumista, Susana se transformou em uma garota que possui amor ao trabalho (!) gente, muito orgulho.
    Mas, e que conversinha foi aquela entre os pais da Su? Em, em? Fiquei curiosa agora. Mas, como ela mesma 'disse': se for para saber, será na hora certa.
    Beijos! ♥

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