15 junho, 2014

[WebSérie #2] A Fórmula do Amor - Capítulo 23 (Final)

Este capítulo é parte integrante da WebSérie original "Legally Friends", escrita por Sâmella Raissa. Para ter acesso aos capítulos anteriores, clique aqui. Favor não copiar quaisquer partes do texto sem a devida autorização da autora.

Coisas que só o coração entende

E seja feliz em suas escolhas.
É incrível o quanto determinados detalhes podem fazer a diferença na vida de uma pessoa. Mais ainda, é incrível quando esses mesmos detalhes parecem estar prestes a saltar aos nossos olhos e clamar por nossa atenção, e nós acabamos não percebendo por pura falta de atenção. Às vezes simplesmente por focarmos no detalhe errado, ou até mesmo podemos repará-los, mas insistimos em renegá-los. E, no fim das contas, todas as ações, todos os detalhes, todas as palavras, independentes de tamanho ou pressão, virão a fazer sentido ou peso em nossas vidas algum dia.
Havia se passado duas semanas desde aquela fatídica mas ao mesmo tempo esclarecedora noite chuvosa, e eu começava a entender como havíamos atingido aquele limite de forma tão depressa. Porque, sim, ele também tinha tido sua parcela de culpa, bem como eu tinha a minha, e, aos poucos e com muita dedicação e luta, o que antes pensávamos ser um encontro de divergências vorazes onde a defesa da própria opinião era o mais importante, transformou-se em algo que eu não podia esperar nem mesmo em meus sonhos ou pesadelos mais confusos e inacreditáveis.

Porque o amor é assim. Ele chega sem pedir licença e quando nos damos conta a pessoa já tem o nome gravado docemente em nosso coração. Mas, para quem pensa que a partir daí tudo são flores, está completamente enganado. A batalha só está começando, e ao mesmo tempo em que ela é externa, também é uma luta interna. Entre si, os dois irão planejar e lutar por aquilo em que acreditam; ou desistir do sonho e viver numa certeza sem amor.
Mas, que saber de uma coisa? Às vezes é bom não sabermos o que vem pela frente. Talvez, se eu soubesse, desde o início, como eu estaria nesse exato momento, eu não tivesse aceitado tudo de imediato e provavelmente teria me desvencilhado de alguma forma. Viver nas incertezas da vida pode ser bom quando precisamos encarar algumas surpresas e então mudar um pouco nossos conceitos. Esquecer alguns paradigmas e preconceitos, focar no que realmente importa.
– Que tal esquecermos o passado e começar de novo?
– Só se for para começar direito.
– Sim. E vamos procurar ser mais compreensivos um com o outro também?
– Com certeza. Chega de conflitos e discussões. Vamos fazer isso dar certo, não vamos?
– Juntos, nós vamos, sim.
E foi isso o que eu fiz naquela tarde de sexta-feira, exatamente três meses depois de eu ter começado a trabalhar na farmácia, quando permiti esquecer as negatividades e focar no que, ou melhor, quem, estava a minha frente. Quando me permiti abrir os olhos para coisas que antes eu ignorava, e decidi seguir adiante com as surpresas que surgiam.

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O som de cadernos sendo fechados tomou completamente a classe, logo que o sinal tocou anunciando o fim do quinto período. Enfiei o caderno e os livros na mochila, juntamente com meu estojo, e esperei por um momento enquanto meus colegas apaixonados por fim de semana, e, claro, feriado imprensado, saíam da sala em clima de maratona.  Sorri, reconhecendo aquela mesma euforia em mim. O intensivo de Física e Matemática que havíamos tido durante todo aquele dia, para as provas que aconteceriam na outra semana. Aquela era a penúltima aula geral, e iríamos fechar o conteúdo na quinta, após o retorno do feriado prolongado.
Após o pequeno tumulto, levantei-me e segui com meus amigos para fora da classe, caminhando em direção à saída da escola. Clara, Anneliese e eu combinávamos os últimos detalhes de uma festa do pijama que faríamos naquela sexta-feira à noite, enquanto Leandro e Felipe seguiam, eufóricos, conversando sobre o lançamento próximo de um jogo novo para Xbox.
 – E então, gente, vocês já decidiram qual curso de férias irão frequentas durante as semanas do recesso? Olha que as inscrições fecham ainda antes de Junho! – Questionei-lhes de repente, nos aproximando do portão de saída. Eu já havia lhes contado sobre o curso de Designer de Moda que faria no centro, mas ainda não sabia quais eram as escolhas deles.
– Conversei com meus pais e eles concluíram que o curso básico de Escrita Criativa no centro iria ser bastante vantajoso para quando eu fosse cursar Letras na faculdade, então optei por esse. – Clara sorriu, parecendo ansiosa.
– Eu também, quero estar preparada para quando for cursar Artes Cênicas! Todo apoio artístico é bem-vindo! – Anneliese concordou com Clara, confirmando o curso que ambas iriam cursar nas férias.
– Um grande amigo dos meus pais passou um tempo estudando Música nos Estados Unidos e voltou tem uns meses; decidiu abrir um curso de férias lá perto de casa e eu já me inscrevi para as aulas. Vai ser bom mudar os ares dos esportes um pouco. – Felipe disse, e acrescentou: – Inclusive, eu também convidei o Leandro para participar, e eu espero que ele aceite, né, brother?
Leandro revirou os olhos por um momento e riu-se: – E eu tenho escolha? Você praticamente já me inscreveu nele! Só não sei como você conseguiu pegar o meu RG e o CPF sem que eu notasse. – Ironizou.
– O que posso fazer se você sempre deixa seus documentos em qualquer lugar da sua casa e é mais distraído que o professor de Artes? – Felipe brincou, e começamos a rir. Leandro só jogou a cabeça para trás como quem desiste de argumentar em sua defesa e revirou os olhos novamente, recebendo, em seguida, algumas tapinhas no braço, administradas por Felipe. – Ah, qual é, cara, você precisa mudar um pouco os ares, não é? Não dá para viver apenas de comer, dormir e namorar.
– No dia em que você arranjar uma namorada nós conversamos sobre isso, ok? – Leandro retrucou, passando o braço pelos ombros da minha amiga sorridente e apaixonada, plantando um grande beijo em sua boca.
– Ah, essa foi golpe baixo...! – Felipe reclamou, até ser interrompido por Anneliese.
– E falando em namorado... olha só quem está nos esperando no portão. Ou melhor, esperando você, não é, dona Susana? – Ela sorriu-me, sonhadora com a cena que se seguia, e eu apenas corei.
– Ele não é meu namorado... – Tentei corrigi-la, até que foi a vez de Clara tomar a palavra.
– Ainda... – E piscou para mim.
Apressei o passo e então aproximei-me do rapaz de cabelos castanhos escuros, postura confiante e... sorriso encantador. Corei mais um pouco, até que ele riu e falou, uma mão em cada bolso da calça jeans surrada:
– Pensei que você iria sair por esses portões cantando “Livre estou, livre estou...!” sem parar, mas, para quem fez intensivo de Física e Matemática hoje, até que você está bem tranquila.
– É que esse é o papel da Elsa, e eu sou a irmã dela, a Anna, sabe. – Soltei-lhe uma risada, empurrando-o levemente, enquanto seguíamos portões afora pela calçada, com meus amigos logo atrás.
– Bem, que você é a irmã dela mesmo eu não sei, mas é tão linda quanto! – E aproximou-se de repente, tascando um beijo rápido na minha bochecha. Não bastava corar agora, tinha que virar a caracterização do tomate!
– Wesley, sai fora! – Empurrei-lhe novamente, fingindo não me importar com o elogio, apesar de saber que não havia jeito de esconder o meu sorriso de ‘boba-alegre’ pelo comentário.
– Ah, é sério! – Ele retrucou, fingindo amaciar o próprio braço onde eu o empurrara, encenando dor. Risos se seguiram e nós continuamos o caminho até em casa, entre risos e beliscões.
Era difícil ainda de acreditar que nossa relação estava tão boa agora, comparado ao que era antes. Era, mais ainda, incrível conhecê-lo melhor por trás daquela pose de machão e conquistador de antes; começara a soltar um lado mais extrovertido e irônico que até então eu não fazia ideia de que existia. De repente, as coisas podiam até ficarem ainda melhores, e, não sei... talvez algumas surpresas surgissem no decorrer do caminho, mas, bem, sem pressa, tudo haveria de acontecer no tempo certo. Mas o que seria isso exatamente? Ah, essa já era uma outra história... 

4 comentários:

  1. HAAAAAAA, QUE FINAL MAIS PERFECT! Valeu a pena toda a espera! ♥ O que foi aquela carta? Ai, meu coração! Por que os pais da Susana não mostraram para ela de uma vez? * respira * Tá, tá, eles sabiam que a coitadinha estava abalada emocionalmente e resolveram deixá-la em paz, eu entendo (pelo menos imagino que foi isso que eles pensaram, mas vai saber...). Ai, agora estou até me sentido mal por todas as vezes que chamei o Wesley de idiota! kkkk' Realmente, ele tem seu lado bom. Todos temos, por mais escondido que esteja. Os últimos dois capítulos foram perfeitos demais! Amei ambos! ♥ Ansiosa por mais um episódio dessa Web Série que eu tanto amo! ♥
    Eu também quero ler sua história no Wattpad, só preciso arranjar tempo para isso primeiro :p Ô vida.
    Beijoooos! ^^

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    1. Fico MUUITO FELIZ que tenha gostado do final do episódio! Os pais da Susana já conhecem a filha; sabiam qual seria o momento ideal para entregar a carta. Esquenta não, ele sabe agir como idiota às vezes, mas ele realmente tem um coração bom dentro de si. Muito obrigada por todo o apoio, Taís!
      Haha, pois é, o tempo está meio curto, mas uma hora dá certo, rs.
      Beijos!

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  2. E tem final mais fofo que esse? Foi a chave de ouro para uma web série (ou, no caso: parte de uma web série, já que esta foi dividida em quatro partes) muito bacana! Parabéns, Sammy. De verdade. Sei o quanto é complicado conciliar a escrita de capítulos com a correria do nosso dia-a-dia, e sei mais ainda o quanto é difícil ser neutro em relação aos nossos personagens, evitando descontar nos pobres coitados as nossas próprias frustrações. Porque dar uma de escritora já é difícil, mas dar uma de escritora na adolescência... é tarefa árdua! Como eu já disse, repito: parabéns. Você mandou super bem. Espero que as entrelinhas entre a nova relação entre a Susana e o Wesley signifiquem que logo, logo, os dois se tornem namorados. Namoros são fofos, e no caso deles será temperado com algumas opiniões contrárias - porque, por mais que se esforcem para se compreenderem, imagino que será inevitável que discordem em certos aspectos às vezes. Mas não tem problema. Uma briguinha ou outra faz a graça do relacionamento!

    p.s: o Wesley me surpreendeu com aquela carta. Não é que no fim das contas, ele se mostrou um garoto de coração enorme? A Susana não tem do que se arrepender nesta escolha...

    Beijos ♥ Jeito Único

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    1. Ah, muitíssimo obrigada, Lari! Que bom que você gostou tanto! Realmente, é complicado conciliar tanta coisa, e sendo adolescente, então, é mais puxado, mas vale muito a pena! Mas obrigada mesmo!
      Hum, quem sabe? Saberemos no próximo episódio, hehe. Se acontecer... provavelmente haveria discussões, sim, eles são bem diferentes, mas, ei, qual é o casal que não tem suas divergências, né? Faz parte, rs.
      Não esperava isso dele, né? O lado 'cavalheiro' dele, aos poucos, está aflorando... Veremos como esse casal ficará no próximo episódio mesmo.
      Beijos! E obrigada por todo o apoio de sempre, Lari!

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