01 dezembro, 2014

[#PHpoemaday] Começando uma nova história

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| #PHpoemaday | Dia 1 | O Começo |
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Sentado em um sofá bege antigo, Diego observava, ininterruptamente, o mover dos pontos do relógio na parede à sua frente, dividido em um misto fervoroso de nervosismo, apreensão e felicidade. No relógio, onze horas e cinquenta minutos. Apenas mais dez e a sexta-feira terminaria, dando início ao sábado e, consequentemente, continuidade à expectativa que preenchia o coração daquele rapaz de 27 anos que não se imaginava viver aquela tensão, exatamente naquele momento, naquele dia, há mesmo algumas horas atrás. Tudo acontecera muito depressa, e uma vez que já estava vivenciando o seu maior pesadelo em meio aquele que também era o seu maior sonho, não tinha dúvidas de que o momento seria aquele e, nesse caso, precisava preparar-se. Agradecia aos céus pelos minutos que passavam lentamente, mas também queria que sua angústia terminasse logo. Uma grande contradição, ele sabia. Mas também sabia que alguns momentos de tensão são necessários nessa vida, e assim ele o enfrentaria. Pelo o que viria a seguir, qualquer coisa valeria a pena naquele momento.
Os minutos continuaram a passar-se. Diego observou os ponteiros chegarem, juntos, finalmente, ao número doze, dando início à madrugada de sábado. A tensão continuava, mas, à medida que se entregava a bons pensamentos, sua ansiedade acalmara e ele já se via mais controlado. Tentou mudar o foco do relógio preso à parede por alguns minutos, tentando distrair-se mais. Mirou, por um instante, o corredor vazio do hospital, dando-se conta de que o único ruído presente no ambiente era o de um mosquito voando ao redor da luz. Observou-o, parecia hipnotizado com o objeto luminoso, mas tão logo desinteressou-se e saiu aventurando-se ao longo do corredor. Foi da vez em que Diego pousou os olhos sobre o celular ao seu lado no sofá, checando se não havia mais mensagens ou chamadas perdidas de amigos e familiares. Constatando que não havia deixado nada passar, reparou que o sofá nada tinha da tintura bege original de alguns anos, uma vez que depois de tanto tempo de uso e gotículas de suor dos pacientes que ali se sentaram, um tom amarronzado já predominava em boa parte da mobília. No entanto, não deixara de ser uma peça confortável, e Diego era internamente grato por isso; não teria aguentado passar exatos setenta minutos seguidos sentado ali, sem qualquer outra opção, se o desconforto o acompanhasse também. Só lamentava que ele tivesse sido posto tão distante do quarto 102.
Teria continuado perdido em análises aleatórias dos objetos no ambiente se a porta no final do corredor não tivesse, enfim, sido aberta. De dentro dela, um médico barbudo mas simpático, de jaleco e face cansada, saiu até o vão da porta. Não foi preciso uma única palavra ou gesto para que Diego soubesse que sua angústia havia terminado. Caminhou a passos seguros ao longo do extenso corredor, percebendo um sorriso singelo no rosto do doutor, um pouco encoberto pelo bigode. Adentrou ao quarto com cuidado, como se estivesse sonhando e pudesse acordar a algum descuido, e quando deu por si, estava estático no vão da porta, admirando sua amada Caroline repousar na cama de hospital. Tinha o rosto sereno e emanava uma tranquilidade que rapidamente contagiou o rapaz, que suspirou em alívio por ela estar bem, e logo mais tratou de aproximar-se dela e tomar a cadeira ao seu lado na cama. Pegou sua mão e beijou-a com todo aquele carinho gostoso que estava sempre presente naquela relação, e ela abriu os olhos, virando o rosto em sua direção e sorrindo-lhe abertamente, uma lágrima singela escorrendo por seu rosto. Ele limpou-a, sorrindo de volta, e teriam continuado nessa troca silenciosa de declarações de amor se uma enfermeira não tivesse adentrado ao local, por uma outra porta na extremidade do cômodo.
O segundo motivo de alegria surgiu naquele momento, iluminando seu olhar e seu sorriso de uma forma tão natural que o médico, no canto do quarto, não ousou esconder o sorriso que pairava sobre seus lábios. Eram cenas como aquela que, no fim das contas, faziam seu dia corrido de intensas batalhas no hospital valerem a pena. A enfermeira, com um tímido sorriso gentil no rosto, passou a recém-nascida para os braços do pai, que apenas sorria e chorava pela chegada da pequenina. Com a pequena Elizabeth em seus braços, observou suas mãozinhas pequenas fecharem em torno de um dos seus dedos da outra mão, e o enfim abrir de olhos da menina, que mirava o pai com um brilho novo no olhar. Aproximou-a da esposa, que admirava-os apaixonadamente, enquanto compartilhava daquelas mesmas lágrimas.  Lágrimas de felicidade. De esperança.
Depois de tantos conflitos e riscos vividos, aquele casal permanecera, e aquela pequena criança era a prova da prevalência desse amor. Mais do que isso, na verdade, ela era apenas o começo de uma nova história para aquela família. Uma história que, dessa vez, haveria de ser feliz.

Beijos,
Sâmella Raissa

2 comentários:

  1. Awnnnnnnnn gente que coiisa mais linda! Adorei *----*. Fiquei imaginando e até me emocionei >.< whquhsuaha!

    Um beijo
    psicot-i.blogspot.com

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    1. Own, fico feliz que tenha gostado, Yasmin! ^_^ E de ter atingindo um pouco a emoção que eu queria com o texto <3
      Beijos...

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