10 dezembro, 2014

[#PHpoemaday] Loucura silenciosa

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| #PHpoemaday | Dia 9 | A Loucura |
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Rosana encarava o teto com fixação.
Mas, também, era a única coisa que ela podia fazer deitada naquela cama de hospital. O quarto estava escuro e uma outra paciente dormia tranquilamente alguns metros de distância dela. Apesar do sono iminente, Rosana não conseguia dormir. Na verdade, nem tentara. O medo falara mais alto.
Continuou encarando o teto. Começava a criar e repassar histórias diversas em sua mente, na tentativa de esquecer os pesadelos que a atormentavam ultimamente. Quando mirou o canto do cômodo por um segundo, porém, quase pulou da cama. Achara ter visto um gatinho em cima da cômoda. Não, não havia nenhum, ela percebeu depois. Voltou a fixar-se no teto, já um pouco mais apreensiva. O silêncio no quarto também não ajudava. De repente, ouviu algo bater no corredor ao lado. Pensou ter visto um vulto passar pela pequena janela da porta. Encolheu-se na cama e não mais encarou o teto, por hora. Estava aflita demais e, talvez, se continuasse de olhos abertos poderia enlouquecer.
Uma vez que não podia dormir, porém, resolveu apenas fechar os olhos cor-de-mel e virar-se de lado na cama. Continuou a criar histórias fantasiosas em sua mente e assim permaneceu por um tempo, até que um barulho novamente a despertou, dessa vez, vindo de onde se encontrava a outra paciente. A mulher derrubara um copo no chão, percebeu, embora não soubesse como exatamente. Ela dormia calmamente, não a ouvira ter se mexido. Foi quando Rosana mirou novamente o teto e viu o reflexo luminoso da janelinha da porta. Uma pessoa, ela tinha certeza; sua visão agora não a enganaria. E quando pensou que seria capaz de gritar, foi amparada por um toque suave no ombro que a pegou de surpresa.
Um dos médicos estava ao seu lado, observando-a curioso, mas escondendo uma preocupação latente em seu semblante. Mirou os olhos agitados da mulher e falou, em voz baixa, para que ela se acalmasse. Ela não o fez, não porque não quisera, mas porque não conseguira; estava percebendo-se ficar fora de controle. Olhando para os quatro cantos do quarto, repetidas vezes, não precisou de maiores instruções e o homem, sabendo o que aconteceria se não interferisse, apenas fez o que mandava o protocolo. Rosana sentiu a agulha penetrar-lhe a pele enquanto sua mente se dividia em indagações, ideias e pré-atitudes, procurando uma saída para fugir de seus pesadelos, até que, finalmente, segundos depois, sentiu-se sonolenta. Não podia dormir. Não podia. Mas ele não entendia isso. E, à contragosto, debatendo-se levemente na cama, sem forças devido ao calmamente acabou entregue novamente ao sono e, consequentemente, aos pesadelos. De novo.

Beijos,
Sâmella Raissa

Um comentário:

  1. WOOOOOOOOW! Nossa, Sâmmy! Ficou bem diferente das coisas que você costuma escrever, não? E ficou incrível! * Aplausos *
    Bjbj!

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