26 dezembro, 2014

[#PHpoemaday] Presente de Natal

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| #PHpoemaday | Dia 26 | Sua Família |
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A garota fitava os ponteiros do relógio com ansiedade. Eram 18h30 e logo mais a reunião familiar estaria pronta. Enquanto isso, demorava-se entre divagações aleatórias e diversas sobre aqueles que já se encontravam ao seu redor, parecendo não muito cientes da empolgação que emanava de seu interior.
No sofá no centro da sala de estar, o pai repousava com um controle de videogame nas mãos, jogando – e consequentemente zerando – pela milésima vez o seu jogo favorito no Playstation 2. Apesar de estar sentada numa das poltronas próximo ao corredor, a garota podia ouvir claramente os murmúrios da mãe e da tia vindos da cozinha um pouco mais adiante da sala, entre concordâncias e discordâncias sobre o peru que preparavam para a pequena ceia de Natal. Ambas discordavam mais do que mesmo preparavam a refeição, mas conhecendo a teimosia natural da mãe, ela sabia que logo mais a tia sairia bufando de dentro do cômodo, e se sentaria na sala, agarrada ao joguinho de palavras cruzadas no tablet, e permaneceria assim até que a poeira baixasse e ela pudesse voltar à cozinha. Dito e feito, e ela transitava pela sala.
O pai, sentado no sofá, estava atento a tudo o que acontecia, mas preferia ficar quieto a irritar a esposa. Gostava muito mais de jogar videogame a discutir sobre as diferenças das duas irmãs. Ah, e reclamar da falta de senso de moda da repórter do jornal das cinco; não era consultor de moda, mas não tolerava os modelitos da mulher. Ria-se cada vez mais, dia após dia, ao vê-los na TV, e mãe e filha apenas riam, felizes por seus sensos de moda serem devidamente aprovados pelo único homem da casa.
Continuava as divagações até que reparou a tia retornar a cozinha, e, fazendo o inverso, a mãe saiu, pedindo a opinião do marido para o tempero a ser usado. O tradicional, ele dizia, mas ela, sempre indecisa e contraditória, insistiu dessa vez que queria algo mais requintado. Voltou a cozinha com a resposta tirada de si mesma, como bem costumava ser na maioria das vezes, e continuou com os preparativos. A garota sorria consigo mesma, discretamente, observando a rotina familiar.
Não demorou muito até que tudo ficasse pronto e a mãe bradasse em alto e bom tom da cozinha que eles podiam vir. A filha entrou depressa no ambiente, sendo surpreendida de imediato com o aroma diversificado da salada, do peru, do risoto, da farofa, e de algumas pequenas sobremesas para após a refeição. Sorriu para a mãe e a tia, ajudando-as a pôr a mesa, e logo o pai também se juntou à festa, entre risos pelo breve susto dado na esposa. Vinho aberto, pratos à mesa, assentos ocupados, a ceia começou. Riram, sorriram, contaram histórias, brindaram, se divertiram, e a garota sentiu-se feliz como nunca antes. Apesar dos estresses corriqueiros e as personalidades geniosas, eram uma boa família, na verdade, a família ideal para ela, e não importava quantas vezes ou porquê discutissem, as conversas despretensiosas e o carinho silencioso sempre acabavam retornando. E ela agradecia e orava a Deus todas as noites para que, por mais muitos e muitos anos, o amor existente no lar sempre conseguisse suportar as adversidades. Eles eram o seu bem mais precioso, e de repente não havia melhor presente de Natal que aquele, renovado todos os anos.

Beijos,
Sâmella Raissa

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