19 dezembro, 2014

[#PHpoemaday] Profissão sonhadora

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| #PHpoemaday | Dia 19 | Sua Profissão |
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Um barulho irreconhecível ecoou pelo andar de cima da casa, ao que a mãe imediatamente correu escadas acima. Encontrou a filha na varanda, empurrando livremente algumas cadeiras e abrindo espaço no centro. Tinha o cabelo em uma tentativa de coque, vestia-se com um tule rosa bebê e sapatilhas de ponta que um dia foram da própria mãe, quando mais nova, mas que ainda ficavam enormes em seus pequenos pezinhos de nove anos. Alguns passos atrás dela, a mãe permanecia, agora, de braços cruzados, com um risinho pairando sobre os lábios, acostumada com cenas como aquela. E não demorou muito até que o espaço estivesse devidamente pronto e a garota ligasse o iPod do pai, que só agora Angélica percebera que não o encontrava desde o início daquela manhã, e começou a bailar pelo pequeno espaço. Um sorriso no rosto, girando os bracinhos e as pernas conforme a melodia.
Não muitos dias depois, Angélica aparecera de súbito no quarto da filha, para recolher algumas roupas para levar, e teve uma surpresa ao deparar-se com desenhos diversos colados por fita adesiva – ao menos ela esperava que fosse algo desse tipo – na parede central. Parou por um momento, observando o cômodo com mais atenção, até que sentiu a filha passar por trás dela e adentrar ao quarto, com toda uma pose de artista e sentando-se em uma cadeira minúscula localizada no canto do quarto, acompanhando uma mesinha a sua frente. Alguns ursos e bonecas estavam dispostos à frente da mesa, virados para ela, e sem importar-se com a presença inicial da mãe, Lena continuou seu discurso de artista, encenando a venda de seus quadros na parede para seus bonecos.
Mas foi numa tarde qualquer que Angélica, ao aproximar-se da cozinha, encontrou a filha debruçada sobre o balcão de mármore, com uma tigela grande cheia de algum tipo de massa. Assustou-se com a quantidade de farinha disposta perdidamente sobre alguns cantos do balcão e com a possibilidade de a menina aproximar-se do forno, mas aliviou-se logo ao perceber a presença do marido ao lado de Lena, tão risonho e compenetrado na tarefa quanto ela. Pai e filha estavam cozinhando juntos, mas Angélica tinha lá suas certezas de que aquele era mais um do “momento: profissão” de sua filha, e, ainda sem ser notada por eles, não pôde evitar um sorriso. Fazia parte da natureza de sua filha dar asas a sua imaginação, e Angélica não tinha a menor dúvida de que, antes de mais nada, a profissão da sua filha seria ser sempre uma eterna sonhadora.

Beijos,
Sâmella Raissa

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