31 dezembro, 2014

[#PHpoemaday] Verdadeiro lar

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| #PHpoemaday | Dia 30 | O Paraíso |
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Uma brisa suave invadia a janela aberta no quarto de hospital, e a pequena Molly repousava tranquilamente, enquanto conversava com a tia sentada ao seu lado na cama. A garotinha de oito anos sorria singelamente enquanto ouvia atentamente ao que a tia falava com tanta suavidade e carinho, e assim a tarde passava. Em um dado momento, a menina ajeitou-se levemente em seu colo, e encarou-a mais firmemente, o semblante sério de repente.
— Tia Olívia? — Ela balbuciou, chamando a atenção da tia.
— Sim, querida? — A mulher interrompeu o que falava e direcionou toda a sua atenção à sobrinha.
— É verdade o que as pessoas dizem sobre o paraíso? Ele existe mesmo? — A pergunta a pegou de surpresa.
— Sobre o que exatamente você quer saber? — Ela perguntou, amável.
— É um lugar tão bom como as pessoas falam?
— Sim, querida, é sim.
— E não tem dores ou tristezas nesse lugar? — A menina quis saber, ainda séria.
— Não, meu bem. Lá existe apenas alegria e amor.
— Então por que a gente não pode ir morar lá? — Molly persistiu.
— Porque para tudo há a hora certa, e apenas não chegou ainda o momento para morarmos lá. — A tia sorriu, visivelmente chorosa.
— Mas um dia a gente vai para lá?
A tia olhou por um momento em direção à janela e admirou o céu claro à distância. Voltou-se para a menina e sentiu uma lágrima escorregar-lhe pela face.
— Sim, meu amor. Quando for o tempo d’Ele, nós iremos.
A criança sorriu levemente, os olhos brilhando e continuou a encarar a tia silenciosamente. Observou-a enxugar algumas lágrimas singelas que insistiam em correr por seu rosto. De repente seu coração, anteriormente agitado, começou a acalmar-se. Estava tranquila, sentia-se leve e aconchegada ao colo da tia que tinha praticamente como uma mãe. Sussurrou, de repente, cortando o silêncio.
— E quando eu vou saber que essa hora chegou, tia?
A tia sentiu um aperto leve no peito. Mais uma lágrima.
— Não há uma forma definitiva. Você simplesmente saberá.
Molly aproximou calmamente a mão pequenina até a da tia, envolvendo-a e apertando-a. Foi a sua vez de derramar uma singela lágrima pelo canto do olho, que a tia não pôde ignorar. A menina sorriu, sentindo-se ainda mais leve.
— Acho que essa hora já chegou. — Parou por um momento, e concluiu. — Para mim.
A tia, que tentava ao máximo não derramar-se em lágrimas, libertou o choro aos poucos, enquanto abraçava e beijava a sobrinha que há tanto tempo criava como filha. Passara longos meses tratando do câncer inesperado, e pensou, por um momento, que a doença havia vencido a doce menina naquele momento. Ao mirar seus olhos, cheios de vida por mais uma única vez, teve a certeza, em seu coração, de que a doença não fora a vencedora. Molly fora tão forte durante todo esse tempo e, agora, ela tinha certeza de que um lugar melhor a esperava. De que ela definitivamente não teria mais dores ou tristezas. Estaria em paz, entregue a sorrisos e muito amor. E era isso que aliviava seu coração naquele momento.
Porque, mais do que ela, Ele não deixaria a sua tão linda menina sofrer um dia mais sequer e cuidaria dela como sempre fez. 

P.S.: Sorry por não tê-lo publicado ontem, mas não deu. E, apesar do atraso, espero, de coração, que tenham gostado. Virou um dos meus contos favoritos do Poem A Day.

Beijos,
Sâmella Raissa

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