28 dezembro, 2014

[#PHpoemaday] A vida e suas quedas livres

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| #PHpoemaday | Dia 28 | O Arranhão |
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— Tá doendo.
— O quê?
— Meu coração.
— E como é essa dor?
— Como se ele estivesse rasgado ao meio, quebrado, estilhaçado.
— Isso não é novidade. Relacionamentos são assim mesmo. Você só precisa enxugar essas lágrimas, e você verá que ele vai se regenerar.
— Ou sentir, na verdade. Mas não acho que isso vá acontecer, está doendo muito.
— Só por agora, mas depois passa. Que ver que daqui a pouco já vai lembrar dele e não sentir mais nada?
— Assim como você “não” se lembra do seu ex-namorado? E isso foi há quatro meses.
— Sim, e por isso você não deveria voltar ao assunto. Na verdade, o foco aqui é você, não eu.
— Você entendeu o que eu quis dizer. Vale aconselhar os outros das mais variadas formas, mas você mesma não segue ou acredita no que diz.
— Como pode ter certeza disso? Você não é eu.
— Realmente, não sou, ou do contrário teria deixado meu orgulho de lado e ido atrás dele. Mas, não, você é boa demais para ele.
— Isso não tem nada a ver, e você sabe disso.
— E o que tem a ver?
— Tem a ver que nada na vida é garantido, e que se em um momento nós voamos, no outro podemos perder altitude e cair, então precisamos estar preparados para arranhões maiores que esses. E eu não digo apenas fisicamente.
— É assim, então? Não posso nem mesmo ficar em paz com minhas próprias dores?
— Isso não é permanente, você sabe. Uma hora isso passa.
— Não passa, não.
— Pessimista, você. Como pode ter tanta certeza disso?
— Porque ele está pedindo socorro.

Beijos,
Sâmella Raissa

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