02 junho, 2015

[#PHpoemaday III] Duas vezes Marina

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| #PHpoemaday | Dia 2 | A Menina Marina |
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Marina Lopez era uma bailarina genial. Famosa por seus saltos arriscados, mas incrivelmente bem executados e sincronizados, tornou-se rápida e mundialmente conhecida no balé internacional, e muitos faziam fila para assistir a uma de suas apresentações. Uma moça de olhar meigo e sorriso estonteante, que espalhava simpatia por onde passava.
No auge da sua mocidade, no entanto, quando não estava brilhando nos palcos ou nos bastidores, continuava sendo uma jovem de muita energia e simpatia. Muito antes de brilhar no balé, bem conhecera uma vida muito humilde em um pequeno interior longe da cidade, e portanto, não se deixava engrandecer pela carreira que agora possuía. Por causa disso, via-se constantemente aparições da garota por entre instituições de caridade e apoio a pessoas com câncer ou deficiência. Visitava crianças e contava-lhes histórias, visitava abrigos de animais abandonados e passava altas tardes de pura diversão com os caninos, até mesmo a chegar, por duas vezes, a adotar amigos peludos para colorir sua vida agitada no balé. Certa vez ainda chegara a invadir, após muita insistência, a ala de uma menininha, apaixonada por balé, que se encontrava em fase terminal, brindando-lhe com sorrisos e risadas gostosas que duraram toda uma manhã e tarde.
Tinha seus problemas, todos tinham. Alguns dias acordava de mau-humor e descontava sem querer em algum treinador, pedindo desculpas repetidas vezes em seguida. Uma avó muito doente, brigas constantes entre o pai e o irmão mais velho, a distância para com a própria mãe. A vida, no fim das contas, não é fácil para ninguém, mas sempre podemos optar por segui-la com otimismo, fé, força de vontade, e o resultado, na hora certa, será recompensador. Dessa forma, Marina insistia em ver a vida com suas respectivas cores, nunca deixando-se colorir a visão de preto e branco por causa dos problemas. Não era nada fácil, mas era totalmente possível com a coragem, mas uma vez que muitas pessoas às vezes perdem a esperança em toda essa cor, passavam a ver a jovem não apenas como bailarina, mas como uma grande inspiração.
E entre essas pessoas, estava ele, o rapaz de olhos claros que cativou a jovem, e vice-versa. Passaram-se dias, semanas, meses e anos, até que o amor se concretizou, e eles se viram em um mar de rosas.
Mas esses mares são temporários, todos sabem. E o amor, algumas vezes, pode não ser suficiente. Rafael, porém, aprendeu com a energia positiva de Marina, e mesmo quando, após mais alguns anos no balé, esta passou por sérios problemas de saúde, ele não deixou-a sozinha nem por um instante. Por mais que tivesse ido cedo demais, antes mesmo do marido, Marina deixou lembranças eternas de sorrisos, abraços quentinhos, beijos apaixonados e carinho sem fim. Mais que isso, na verdade, ela deixou todo um aprendizado na vida daqueles que amava e, principalmente, para a família que então formara, e mesmo o pequeno Igor, filho do casal, não desviou para o caminho do pessimismo em nenhum momento. As dificuldades vinham, afinal, mas os motivos para sorrir e ter fé em dias melhores eram maiores.
[....]
— Ela deve ter brilhado muito, papai.
— Sim, minha filha, ela brilhou. Não apenas nos palcos do balé, mas, principalmente, no palco da vida, onde não há pausas ou roteiros, e devemos seguir conforme a correnteza. Seu jeito de ser e de viver inspirou a muitos, e espero que passe a inspirar você também. — A menina assentiu, e o homem levantou-se da cama, dando um último beijo em sua cabeça. Andou até a porta, parando no batente, e observou, por um momento, as pinturas cada vez mais expressionistas e detalhadas da garota, espalhadas pela parede do quarto. Era, sem dúvida, uma criança apaixonada por artes, e desde já sonhava em virar uma pintora famosa. Sorrindo, voltou a mirar a filha, já adormecida, e sussurrou, por fim: — Durma bem, minha pequena Marina. Sua avó ficaria muito orgulhosa de você.


Beijos,
Sâmella Raissa

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