04 junho, 2015

[#PHpoemaday III] O silêncio dos apaixonados

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| #PHpoemaday | Dia 4 | O Silêncio |
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Pedro se olhou mais uma vez no espelho. A postura era confiante, mas o coração do jovem continuava agitado e com mil batidas por segundo, tamanha era a ansiedade por rever sua amada. Haviam marcado de se encontrarem, e a hora se aproximava. Não havendo muito mais que fazer ali, dirigiu-se à cama, onde seu presente o aguardava, e rumou até a porta do quarto, com destino ao parque da cidade.
Era inverno, e o menor dos suspiros deixava uma leve fumaça no ar, por entre as ruas cobertas de neve onde o frio reinava intenso. Caminhou a passos largos, com um pano sobre seu tão precioso presente, para que não viesse a ser atingido pelos singelos flocos de neve que insistiam em cair mesmo após tanta neve pelo chão. Ao aproximar-se do parque, foi impossível conter o sorriso que transpassou por seus lábios no instante em que a avistou sentada no banco, a postura tranquila, igualmente envolvida em casacos, e, mesmo ao longe, podia-se notar um leve sorriso a tomar conta de seus lábios. Lábios estes que ele mal podia esperar para saber que gosto tinham, enfim.
Silenciosamente, chegou por trás dela e depositou um beijo em sua cabeça, por entre as madeixas castanhas. Violeta não precisou pensar muito para reconhecer como sendo Pedro, o único que tinha o direito de tal recepção, muito embora ele não soubesse realmente disso, e seu sorriso aumentou. Assim, ele pôs diante dela, com um sorriso quase tão imenso quanto o dela, e olhou-a profunda e ternamente em seus olhos. Ela retribuiu o olhar da mesma forma, e de longe era possível sentir o carinho que nutriam um pelo o outro e o qual já não necessitava de palavras ditas ou escritas para que se fosse concretizado. Também, pudera, Pedro havia sido impedido de falar, ainda quando bebê, no entanto, e por causa disso, se aperfeiçoara na arte de saber ouvir e enxergar as coisas com mais clareza, e isso por si só já era o suficiente para Violeta, que depois de tanto tempo tendo-o apenas como um grande amigo, sabia que nunca seria capaz de encontrar outra pessoa que a compreendesse tanto e que ala amasse demais.
E uma vez que o sentimento era recíproco, bastou que ele revelasse o lindo buquê de violetas para que ambos se dessem conta de que, enfim, não havia mais como adiar o inevitável. Palavras não podiam expressar tudo o que sentiam em seus corações naquele momento, mas os sorrisos bem que chegaram perto, e tão logo eles apareceram, desapareceram também. Foi quando a distância teve de ser vencida, e compartilhando de um abraço extremamente apaixonado e reconfortante, o beijo aconteceu. E o amor também.
Porque, certas vezes, nem todas as palavras do mundo são capazes de dizer o que, muitas vezes, só um olhar é capaz de mostrar o que o coração sente de verdade.


Beijos,
Sâmella Raissa

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