01 junho, 2015

[#PHpoemaday III] A vida de cada um

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| #PHpoemaday | Dia 1 | A Biografia |
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O trovão inesperado, ainda que visivelmente tímido, apresenta a chuva que está por vir. A pequena ruela, já tão antiga e conhecida no bairro, permanece silenciosa, cujos moradores todos se reconhecem, mas quase ninguém realmente se conhece.
Em um dos apartamentos, uma mulher prepara-se para uma exaustiva manhã no escritório. Papéis e mais papéis a serem revisados e registrados, e tudo o que ela deseja no momento é tirar suas tão sonhadas férias. Como em todas as manhãs, observa o porta-retratos na sala, a garotinha montada em um cavalo, com o pai e a mãe ao lado, e suspira, desolada. Ah, se tivesse valorizado a vida no campo há mais tempo; provavelmente não estaria tão estressada consigo mesma como agora.
Na escadaria do mesmo prédio, um rapaz ainda com seus vinte e três anos desce os degraus, aflito, pensando na filha pequena que deixara com a babá para que pudesse, mais uma vez, ir trabalhar. Só de imaginar o choro da menina, seu coração aperta, mas desde que vira-se sozinho com ela, não há mais muito o que possa fazer que não seguir em frente. Ah, se não tivesse sido tão inconsequente e se metido com más amizades; poderia, quem sabe, estar namorando aquela garota tímida e meiga que passava invisível para todos da sala, mas na qual ele sempre reparara e de quem apenas nunca se aproximara por ter sido popular.
Na casa da esquina, dois adolescentes conversam animadamente sobre os filmes que assistiram na TV na noite passada; a garota, tagarela, enche-se de alegria ao fazer os mais diversos e aleatórios comentários à respeito, sem reparar no olhar apaixonado do rapaz para ela. Ele ainda pensa em falar alguma coisa para atrair ainda mais sua atenção, mas o celular da garota toca, e a atenção desta volta-se inteiramente ao rapaz que já namora há alguns dias. O garoto apenas acena, e afasta-se rapidamente, caminhando sem rumo pela calçada. Ah, se tivesse criado coragem mais cedo e convidado-a antes para sair; quem sabe poderia ser ele no lugar do rapaz sortudo do outro lado da linha que, no entanto, ele observava, não parecia enxergar o valor real que a menina possuía.
E a manhã continua a passar-se, e a rotina também. No fim do dia, são apenas vidas distintas, que lutam com consigo mesmos e os obstáculos deixados por suas escolhas do passado. Seguem em frente, um dia por vez, às vezes com alegria, às vezes com apreensão, mas em todas elas, com a esperança de dias melhores latentes no coração.


Beijos,
Sâmella Raissa

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